O ano de 2016 não começou da forma que os suinocultores projetavam. Após um aumento na produção, nos preços de comercialização e bom fluxo de exportação no ano passado, o jogo virou contra quem está na atividade neste momento. O motivo que causa esta enorme dor de cabeça aos produtores é um só: a alta dos preços das commodities, principalmente o milho, que corresponde a cerca de 70% na composição da ração dos animais. O boom do valor do grão – que está com preço bastante valorizado no mercado externo – fez com que o custo de produção dos animais disparasse, ultrapassando, em alguns casos, o valor de comercialização da carne.
De um lado, a saca de 60 quilos de milho salta a marca dos R$ 30 no Paraná com tranquilidade, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), atingindo os maiores valores da série histórica, iniciada em 1997. Por outro, o preço do quilo do animal já é comercializado em algumas praças a R$ 3, movimento que normalmente ocorre no início do ano.
O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, relata que os suinocultores "perderam o meio campo da partida", ou seja, estão sem controle da situação atual. "Em janeiro, quando o preço do milho disparou, subitamente o valor do animal despencou. Nosso custo de produção já ultrapassou R$ 3 e tem praças vendendo o quilo do animal de R$ 2,80 a R$ 3. Estamos com temor que o cenário fique igual a 2012, quando estávamos pagando para produzir."
Para adquirir milho das cooperativas, Dariva relata que o produtor gastou em torno de R$ 23 a R$ 29 por saca no ano passado. Agora, não é difícil pagar o valor de R$ 40. "Se continuar desse jeito, os pequenos e médios produtores independentes vão sair do mapa, assim como os pequenos frigoríficos, que perdem espaço para as grandes indústrias neste momento de mercado instável."
Quando o cenário atingir níveis críticos como deste começo de ano, o presidente da APS salienta que os produtores provavelmente venderão matrizes para se manter. "Acontece que no ano que vem o suinocultor não terá o dinheiro para repor essa matriz, porque estará descapitalizado. Assim, ele começa a ficar com os animais mais velhos na granja e a produtividade do Estado pode cair."
Sem acreditar que o valor das commodities abaixe nos próximos meses, a solução que Dariva enxerga é um aumento no valor da carne suína, além de o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) liberar mais milho para leilões no balcão, para que o produtor consiga adquirir esse insumo a preços justos e equilibrar as contas.
Outro ponto que vale reflexão é que essa queda nos valores pagos ao produtor não foi repassada ao consumidor final, que continua pagando o mesmo preço pelo bacon, costelinha e outros produtos. "A indústria está repassando valores menores ao produtor, os supermercados não mexeram nos preços, ou seja, algum elo do setor está com 'gordura acumulada'."

Imagem ilustrativa da imagem Suinocultores em alerta
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