Suinocultores em alerta
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sábado, 13 de fevereiro de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
O ano de 2016 não começou da forma que os suinocultores projetavam. Após um aumento na produção, nos preços de comercialização e bom fluxo de exportação no ano passado, o jogo virou contra quem está na atividade neste momento. O motivo que causa esta enorme dor de cabeça aos produtores é um só: a alta dos preços das commodities, principalmente o milho, que corresponde a cerca de 70% na composição da ração dos animais. O boom do valor do grão que está com preço bastante valorizado no mercado externo fez com que o custo de produção dos animais disparasse, ultrapassando, em alguns casos, o valor de comercialização da carne.
De um lado, a saca de 60 quilos de milho salta a marca dos R$ 30 no Paraná com tranquilidade, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), atingindo os maiores valores da série histórica, iniciada em 1997. Por outro, o preço do quilo do animal já é comercializado em algumas praças a R$ 3, movimento que normalmente ocorre no início do ano.
O presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores (APS), Jacir José Dariva, relata que os suinocultores "perderam o meio campo da partida", ou seja, estão sem controle da situação atual. "Em janeiro, quando o preço do milho disparou, subitamente o valor do animal despencou. Nosso custo de produção já ultrapassou R$ 3 e tem praças vendendo o quilo do animal de R$ 2,80 a R$ 3. Estamos com temor que o cenário fique igual a 2012, quando estávamos pagando para produzir."
Para adquirir milho das cooperativas, Dariva relata que o produtor gastou em torno de R$ 23 a R$ 29 por saca no ano passado. Agora, não é difícil pagar o valor de R$ 40. "Se continuar desse jeito, os pequenos e médios produtores independentes vão sair do mapa, assim como os pequenos frigoríficos, que perdem espaço para as grandes indústrias neste momento de mercado instável."
Quando o cenário atingir níveis críticos como deste começo de ano, o presidente da APS salienta que os produtores provavelmente venderão matrizes para se manter. "Acontece que no ano que vem o suinocultor não terá o dinheiro para repor essa matriz, porque estará descapitalizado. Assim, ele começa a ficar com os animais mais velhos na granja e a produtividade do Estado pode cair."
Sem acreditar que o valor das commodities abaixe nos próximos meses, a solução que Dariva enxerga é um aumento no valor da carne suína, além de o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) liberar mais milho para leilões no balcão, para que o produtor consiga adquirir esse insumo a preços justos e equilibrar as contas.
Outro ponto que vale reflexão é que essa queda nos valores pagos ao produtor não foi repassada ao consumidor final, que continua pagando o mesmo preço pelo bacon, costelinha e outros produtos. "A indústria está repassando valores menores ao produtor, os supermercados não mexeram nos preços, ou seja, algum elo do setor está com 'gordura acumulada'."



