Gerage, do Iapar, alerta que o ponto mais importante é colocar número correto de plantas no terrenoAs indicações são de que o fênomeno El Ni¤o deverá trazer mais chuva para os quatro últimos meses do ano. Se forem concretizadas as previsões, essa será uma boa safra de milho, tanto em condições climáticas quanto em termos de mercado. Isto porque, com a baixa intenção de plantio do milho demonstrada até agora, enquanto a área de soja deverá aumentar, quem plantar o milho terá menor concorrência e, espera-se, melhor preço.
Os agricultores que já decidiram cultivar milho, devem tomar algumas providências, se já nãotomaram antecipadamente, como a aquisão de sementes. Para tanto, aconselha o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Antonio Carlos Gerage, o produtor deverá estar atualizado sobre as cultivares indicadas. ‘‘Além da pesquisa, a assistência técnica poderá orientar na aquisição de híbridos ou variedades, escolha que deverá variar de acordo com o nível de tecnologia a ser empregado na lavoura’’, completa Gerage.
Pensando no futuroTodo produtor deve ter um planejamento para uso do solo a médio e longo prazo’’, alerta Gerage. Os que fazem o plantio direto (técnicos e produtores avaliam que o milho só é viável no plantio direto) deverão continuar no esquema de rotação de culturas, independente de mercado favorável ou não, em benefício da terra e das culturas que virão a seguir.
Com antecedência produtor deve calcarear a terra com base na análise química do solo
Depois da escolha das sementes, a análise de solo é a base para fazer a adubação. Em muitas situações há necessidade de correção com calcário, de dois a três meses antes de iniciar o cultivo. ‘‘Mesmo a adubação de base, com fósforo e potássio, deve ser feita a partir da análise do solo’’, reforça Gerage.
Está mais que comprovado que a adubação de cobertura (nitrogenada) auxilia no aumento de produção’’, afirma Gerage. Recomenda-se que seja feita entre 30 e 35 dias após a emergência das plantas. A quantidade deve ser analisada caso-a-caso, dependendo do potencial da lavoura e das culturas anteriores. Para milho depois de soja ou de qualquer outra leguminosa a quantidade é menor. Para o milho que é plantado sobre outra gramínea a taxa de nitrogênio é maior.
Momento crucial‘‘O plantio da lavoura é o ponto mais importante da cultura’’, afirma o pesquisador. O milho tem baixa população de plantas, sendo o ideal de 50 a 55 mil unidades por hectare (ha). O fundamental é, não só atingir o número de plantas por ha, mas fazer a boa distribuição na área. Para isso é preciso uma boa regulagem na semeadeira. A má distribuição provoca competição entre plantas e redução de produção. ‘‘A velocidade da semeadeira deverá ser de 4 a 4,5 km/h; mais do que isso provoca queda no rendimento da lavoura’’.
O milho tem um período de semeadura bastante elástico, que possibilita a espera de boas condições de umidade. No Paraná o período indicado é no final de agosto e começo de setembro, estendendo-se, em algumas regiões, até novembro. A experiência do produtor, segundo Gerage, permite que ele saiba a condição de umidade ideal para o plantio.
Dorico da SilvaNa esperaDepois de uma boa chuva a lavoura poderá ser plantada. Pelo menos o clima deverá ser favorável este ano
Na operação deverá fazer um manejo adequado de ervas daninhas, com uso de herbicidas pré-emergentes. Quando existir alta infestação o pré-emergente muitas vezes não será suficiente, necessitando fazer o controle de pós-emergência a fim de evitar a competição das daninhas com as plantas.
Curativo ou preventivo?No controle de pragas o mais recomendado é fazer um trabalho curativo. Apenas no tratamento de sementes é feito o controle preventivo para as pragas de solo. A principal praga, segundo o pesquisador, é a lagarta-do-cartucho. Através de uma tabela de amostragem pode-se mensurar o ataque e fazer o controle.
A tabela foi desenvolvida pelo pesquisador do Iapar, Rodolfo Bianco, e se mostra, segundo Gerage, eficiente no controle de pragas porque demonstra o momento exato para fazer a aplicação química. Também o percevejo e trips devem merecer a atenção do produtor. A trips aparece no início da lavoura e o percevejo tem um período mais amplo de ocorrência.
Controle biológicoO controle biológico da lagarta do cartucho poderá ser feito através do baculovirus, o mesmo já usado na soja. Mas, de acordo com o pesquisador, este controle ainda esbarra na falta de produção em grande escala para a aplicação. O produto natural, segundo Gerage, é eficiente quando aplicado na hora apropriada, embora tenha uma ação mais lenta.
A dificuldade atual é viabilizar quantidade do baculovirus suficiente para ser uso em escala comercial. ‘‘O controle químico tem-se mostrado visualmente mais rápido.’’ De acordo com Gerage, a médio prazo deverão ser divulgadas pesquisas de controle biológico da lagarta a partir dos inimigos naturais.
Chuva e estiagemDepois da lavoura implantada a estiagem poderá propriciar ocorrência mais acentuada de pragas. O produtor terá que entrar com o controle mais cedo ou fazer mais de uma aplicação. ‘‘Chuva em excesso poderá trazer problemas na parte nutricional das plantas pela lixiviação dos nutrientes.’’ O problema poderá ser contornado com uma adubação de cobetura em duas parcelas, por exemplo.
O milho necessita de chuva para uma boa semeadura e, mais tarde, de índices pluviométricos bem distribuídos, para o desenvolvimento. Não pode faltar chuva de 10 dias antes até 10 dias depois do florescimento, a fase mais crítica da cultura. Para quem semeia em setembro esta fase estará acontecendo em final de novembro e início de dezembro. O produtor deverá programar a época de semeadura, para que o período de florescimento não coincida com períodos de estiagem.
Colheita bem feitaPara a colheita é preciso levar em conta o teor de umidade dos grãos e não deixar a planta secar no campo por muito tempo. Ideal é colher quando há de 18 a 22/24% de umidade. ‘‘O produtor saberá reconhecer pelo aspecto da planta’’. As cooperativas estão recebendo o milho com umidade em torno de 22%.
Outra medida para obter sucesso com a cultura é evitar as perdas na colheita. ‘‘Não é admissível que depois do produto pronto haja perdas. Primeiro o agricultor terá que fazer manutenção da colhedeira, com regulagem perfeita para que o índice de perda não seja elevado. É possível colher com 3 a 4% de perdas, enquanto por aí o índice chega a 8-10%. É dinheiro que está deixando na lavoura.’’

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