A mudança do enfoque extrativista para o cultivo de árvores é uma tendência mundial, que se torna a cada dia mais forte entre os brasileiros das mais diversas regiões do País. ‘‘Há uma nova mentalidade em formação entre os produtores e empresas que dependem da produção de madeira’’, comenta o pesquisador Paulo Ernani Ramalho de Carvalho, da Embrapa Florestas, localizada em Colombo, próximo a Curitiba.
Hoje, quem quiser fazer um plantio comercial, já tem diversas opções nativas e exóticas. Os pesquisadores têm desenvolvido vários trabalhos que estão ampliando o leque de opções para o produtor, que até pouco tempo, estava limitado ao cultivo de eucalipto e pínus, devido a falta de informações sobre silvicultura.
Com a dispobilidade de novas espécies, a orientação da pesquisadora Rosana Higa, também da Embrapa Florestas é que o produtor escolha a árvore adequada a sua área, levando em conta: a finalidade do plantio, o clima, o solo, produtividade e rentabilidade e disponibilidade de sementes.
InformaçõesSegundo Rosana, antes do produtor plantar ele deve procurar informações que o ajudem a tomar a decisão certa. ‘‘Dessa decisão é que vai depender o sucesso ou não do resflorestamento’’, comenta. Alguns dos principais fatores que influem nesta decisão são: tipo e qualidade de produto que o mercado estará necessitando na época da colheita, limitações de clima e solo, conhecimento necessários para cultivar a espécie selecionada, taxas de crescimento e rentabilidade do plantio.
‘‘Aparentemente é difícil definir o tipo de produto florestal que será melhor valorizado pelo mercado, daqui a 7 ou 20 anos, mas é possível fazer um levantamento da situação atual e futura da região, baseando-se também nos diagnósticos elaborados pelos órgãos governamentais’’, explica Rosana.
O pesquisador Paulo Ernani comenta um dado muito importante que serve como orientação. Já não é mais segredo que existem perspectivas concretas para a falta de madeira no ano de 2005, e é claro que quem tiver o produto poderá conseguir boa rentabilidade.
Paulo Ernani comentou que uma grande multinacional procurou a Embrapa para obter informações para plantar 130 mil hectares de árvores em seis países. Estão plantando espécies de crescimento rápido, moderado e lento.‘‘ Esta é outra informação que dá a medida do crescimento do interesse nesta área em todo o mundo’’, diz.
Novas alternativasOs resultados de pesquisa apontam várias espécies adequadas divididas entre as nativas e exóticas e as que são indicadas para reflorestamentos em regiões com ocorrências de geadas e as que podem ser cultivadas em regiões sem ocorrência de geada. Entre as diversas ações de pesquisa da Embrapa Florestas, está o estudo de alternativas ao reflorestamento, para que não fique restrito às espécies dos gêneros eucalipto e pinus.
Por exemplo, para as regiões sujeitas a geadas são indicadas árvores exóticas como o mogno africano, quiri-da-china, cinamomo-gigante, acácia-negra, entre outras. Para as regiões sem ocorrências de geadas existem as opções como a teca, terminalia, cedro-australiano, o nim, o mógno-africano, e outras. ‘‘Todas estas especíes são de excelente aproveitamento para o processamento mecânico, ou seja, podem ser utilizadas na fabricação de móveis’’, comenta Paulo Ernani.
Rede experimentalA Embrapa tem trabalhado com mais de 100 experimentos no Sul do Brasil, especialmente no Paraná. Poucas espécies exóticas têm sido utilizadas até agora para reflorestamentos, sendo restritas aos gêneros Eucalyptus e pinus, que tem sua madeira utilizada, principalmente para a produção de celulose, papel e energia.
Graças ao ‘‘arboretos’’ experimentais, os pesquisadores estão obtendo informações sobre outras espécies nativas e exóticas e está sendo possível ampliar o leque de opções para plantio. As principais alternativas para a produção de madeiras para outros usos são o cinanomo-gigante (Melia azedarach), a grevílea (Grevillea robusta) e o liquidâmbar (liquidambar styraciflua), indicada para serraria. E para ocupação de áreas marginais, são indicadas alnus-di-caúcado (alnus subcordata), para terrenos úmidos em regiões de geadas severas.
As espécies indicadas para locais de ocorrências de geadas são a acácia-negra (Acacia mearnsii); acácia-australiana (Acacia melanoxylon); alnus-da-turqia (Alnus barbata); casuarina (Casuarina equisetifolia) grevílea (Grevillea robusta); uva-do-japão (Hovenia dulcis) liquidâmbar (Liquidambar styraciflua); cinamomo-gigante (Melia azedarach), quiri-da-china (Paulownia fortunei); plátano (Platanus x acerifolia) e álamo (Populues deltoides).
Entre as espécies indicadas para locais sem ocorrência de geadas estão, a acácia-trinervis ou acácia-marítima (Acacia longifolia), mangium (Acacia mangium); árvore-de-ripa ou acrocarpo-da-índia (Acrocarpus fraxinifolius); cadam ( Anthocephalus chinensis); nim ( Azadirachta indica); gmelina (Gmelina arborea); mogno-africano (Khaya ivorensis); magnólia amarela (Michelia champaca Linnaeus); as várias árvores de teca (Tectona grandis L.); melaleuca (Melaleuca quinquenervia); cedro-australiano (Toona ciliata) e terminalia (Terminalia ciliata).
As nativas cultivadas pela rede experimental da Embrapa são: araribá-rosa (Centrolobium robustum), baguaçu (Talauma ovata); canafístulo (Peltophorum dubium); canjarana (Cabralea canjerana s. canjerana); louro-pardo (Cordia trichotoma); pau-marfim (Balfourodendron riedelianum); madiacão (schefflera morototoni) e sobrasil (Colubrina glandulosa).‘‘ Muitas delas já são conhecidas e apreciadas por produtores, mas sua utilização em plantios têm esbarrado em vários fatores técnicos, destancando-se os relacionados ao manejo de crescimento e a métodos silviculturais adequados’’, informa Paulo Ernani.

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