Sucessão preocupa mais que falta de trabalhadores
O sistema cooperativista paranaense, de maneira geral, também avalia que existe uma falta de mão de obra no campo, incluindo nas agroindústrias, que hoje têm papel fundamental para a evolução de faturamento de diversas cooperativas paranaenses. De acordo com a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), no interior do Estado há duas mil vagas no segmento a serem preenchidas.
O superintendente adjunto da Ocepar, Nelson Costa, explica o movimento natural: se por um lado o uso de mecanização e tecnologia reduziu a demanda de mão de obra dentro da porteira, por outro a agroindústria ainda exige muito profissionais. "A demanda é principalmente na agroindústria frigorificada, como os segmentos de frango e suínos. Existem cooperativas que estão contratando haitianos e senegaleses para ocupar essas vagas. Vale dizer que o emprego nas agroindústrias, em certos casos, exige mais qualificação pois remuneram melhor", comenta Costa.
Apesar da falta de profissionais, o superintendente da entidade não vê como um grande entrave. Para ele, esse movimento é natural e não atrapalha o sistema cooperativista. "É um processo que já aconteceu em outras partes do mundo, que foi solucionado graças à mecanização e a agregação de novas tecnologias, aqui no País não será diferente."
Para a entidade, o grande problema não é o deficit de mão de obra, mas a falta de interesse dos filhos dos donos de terras em permanecer nas propriedades dos pais. "Sucessão é um problema mais sério. Os jovens não querem ficar na propriedade. Antigamente, um casal que vivia no meio rural tinha muitos filhos e grande parte dele preferia permanecer no campo. Agora, o casal tem dois filhos e nenhum quer ficar."
Ainda segundo Costa, a preocupação maior é que a idade média dos agricultores está ficando alta como na Europa e nos EUA, o que no futuro pode ocasionar uma maior concentração de terras pela falta de agricultores. "Temos programas, juntamente com outras entidades como o Senar e o Sebrae, para formar jovens empreendedores rurais, mostrando que a atividade rural acaba compensando mais do ir para a cidade. Eles precisam entender que com a modernização tecnológica, hoje o trabalho no campo é bem diferente, menos braçal e mais estratégico", finaliza o representante da Ocepar. (V.L.)





