A discussão de alternativas de geração de renda, com o intuito de incentivar a permanência dos assalariados e filhos de agricultores no campo, conseguiu reunir mais de 200 jovens agricultores e trabalhadores rurais, durante o 1º Encontro de Jovens Rurais. Promovido pela Emater, em parceria com a Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep), o evento fechou a programação dos eventos técnicos da Emater na ExpoLondrina, no último domingo.
Segundo o assessor regional da Fetaep, Evalton Turci, a evasão dos jovens do campo é uma das principais preocupações do setor agrícola nacional atualmente. ''Muitos jovens têm saído das propriedades rurais para procurar trabalho nas cidades e centros urbanos. Alguns até preferem ser cortadores de cana a trabalhar com o pai no sítio'', declarou Turci, assinalando que o desestímulo, na maioria das vezes, se dá pela falta de renda.
''Como ele não recebe salário trabalhando com o pai, o jovem prefere procurar qualquer tipo de emprego que possibilite participar do mundo consumista, às vezes para comprar um simples celular ou até uma moto.''
Conforme Turci, desde o ano passado, a Emater tem trabalhado o conceito de sucessão familiar com os jovens dentro das propriedades, incentivando a participação deles na rotina do sítio e a permanência como herdeiros da terra.
''Também já existem políticas públicas específicas para o jovem rural'', informou o assessor, citando o Consórcio Nacional da Juventude Rural e o programa Jovem Saber, que garantem formação profissional, como os cursos ofertados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), além do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf Jovem.
''Políticas públicas devem ser colocadas em prática para que o jovem enxergue que pode ter a terra dele e se capacitar para criar uma visão administrativa da propriedade'', completou Turci, elencando o desconhecimento das políticas e o fator cultural como entraves para a permanência do jovem no campo.
''Desmembrar a chefia da propriedade é outra barreira a vencer. É fazer o pai ver no filho um parceiro e não um empregado, ver que o jovem não é só mão de obra braçal.''
Turci ressaltou ainda a busca pela qualificação do jovem trabalhador rural, o que garante melhor renda e também possibilita ao assalariado participar de políticas de crédito fundiário, para adquirir terra própria. ''Hoje não é mais a força bruta que agrega valor e sim o conhecimento.''
Marcos Brambilla, diretor de Juventude e Políticas Agrárias da Fetaep, discorreu sobre as conquistas da juventude pelo movimento sindical durante o encontro. Segundo ele, a principal delas foi a aprovação, em 2005, pelo Senado, de que 20% das vagas nas federações, confederações e sindicatos dos trabalhadores rurais sejam ocupadas por jovens.
''É uma forma de oferecer uma oportunidade a mais ao jovem rural de acesso à educação, saúde, esporte, cultura e lazer, além do livre acesso ao meio urbano. É ofertar algo atrativo para que ele permaneça no campo e participe do debate de políticas públicas para o segmento.''
Para Brambilla, a juventude rural atual está sensibilizada, mas ainda não tem tanto acesso às informações, o que influencia na quantidade de militantes, que hoje é insuficiente. ''Muitos não conhecem as entidades, nem quem trabalha para construir as leis. Também falta vontade nos jovens, que querem tudo pronto'', opinou o diretor da Fetaep, comentando que muitos jovens optam por permanecer no campo, mas esbarram nas políticas públicas, que ainda são limitadas.

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