Técnicos e produtores se esforçam para consolidar uma raça de abelhas
que incorpore características semelhantes às características das abelhas européias que existiam no Brasil antes da entrada das abelhas africanas e a consequente mistura das raças. Não chega a ser um melhoramento genético, mas a introdução de novas matrizes de raínhas de padrão e comportamento, segundo os técnicos, superiores.
Hoje, nos apiários brasileiros, predomina a abelha africanizada, resultado do cruzamento das africanas com européias, ''mas que não têm o mesmo comportamento'' das antigas européias - dizem os técnicos.
Houve um avanço significativo nesse trabalho para resgatar a abelha
européia. No Paraná eles chamam de ''europeização'' da apicultura. O trabalho começou há pouco tempo e o processo já avançou em pelo menos 1% dos apiários.
O objetivo é chegar a uma abelha que seja dócil e produtiva; que não seja enxameatória, que apresente ''serenidade'', que tenha desenvolvimento rápido - informa o engenheiro agrônomo e professor Ramon Ponce Martins, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/PR). Ele e outros técnicos envolvidos nesse trabalho também buscam características de resistência à doenças, entre uma série de outras preocupações.
A abelha que se quer selecionar - segundo o agrônomo - tem ainda que ser graúda, para carregar maior quantidade de néctar e pólen.
Quando o professor fala em abelha não enxameatoria, ele refere-se às abelhas que não criem grandes quantidades de enxames ao longo ano. ''Os enxames em profusão dificultam o manejo e não têm utilidade porque o apicultor não precisa de um grande número de enxames; não é economicamente interessante porque metade deles vai embora'' - diz. O número de enxames está relacionado ao número de zangões dentro da familha.
Mansas, produtivas, higienicas e econômicas. Este é o novo perfil de abelhas que se quer expandir. A africanizada, ao contrário, tem comportamento ''não definido'' e, às vezes, apresenta atitudes agressivas. ''São abelhas pilhadoras'' - diz o professor - citando outros inconvenientes que, segundo ele, na prática continuam impedindo o desenvolvimento de uma apicultura que se deseja racional e competitia. As atuais ''são abelhas Appis, porém de raça indefinida, que podemos chamar de ''vira-latas'' - resume.
Portanto, seu comportamento até hoje, não pôde ser tecnicamente
definido. A vida útil também é menor em relação à européia: 40 dias comparados aos 60 dias da européia.
As abelhas européias são produtivas e têm o hábito de ''estocar'' a
produção porque são originárias de um clima frio. O inverno rigoroso da sua origem as obrigava a produzir mais para atravessar toda uma estação adversa.
Já a africana e, por consequência a africanizada no Brasil, tem como
principal característica a agressividade. Não sem razão, porém: ao longo da história ela aprendeu a se defender porque - ao contrário do que ocorria na Europa - na África as colméias eram queimadas para facilitar o saque. Quanto ao hábito de produzir muito mel para reserva, era dispensável nas africanas pois o clima quente não exigia essa preocupação.
Um equívoco em 1956, permitiu a entrada da abelha africana. E até hoje
o setor (produtores e técnicos) se esforçam para corrigir o erro histórico. Os técnicos evitam entrar em detalhe porque as importações foram aleatórias.
O instrutor do Senar observa que é preciso usar a técnica. E cita o mestre em apicultura, professor e empresário João Pereira Martins da Abracam (Associação Brasileira de Apicultores Criadores de Abelhas): ''Quem não sabe por quê, quando e como trocar as rainhas corre o risco de não ter o controle sobre elas''.

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