Em Uraí muitos produtores abandonaram a uva. Falta de competitividade foi a responsável pelo ''expurgo''
Reportagem Local
Até 10 anos atrás, as uvas finas de mesa eram Itália e Rubi. Depois entrou a Benitaka. Nos últimos anos chegaram a Benitaka Sanrise, a Benifuji, a Brasil, Rede Globo, Read Meire e, mais recentemente, a Centenieal, uma planta de ciclo curto que alcança maturação ideal aos 120 dias, enquando as demais variedades podem levar até 150 dias. Seu fruto não tem semente, o que levou o mercado a pagar preços bem superiores na primeira e pequena colheita do ano passado.
Se isto deixa entrever um certo capricho comercial, apresentando produtos que são novidades para os consumidores, também sugere a necessidade de diversificar, com variedades que reúnam diferenciais no paladar, no aroma, e cujas plantas sejam precoces, tolerantes à doenças e com melhor resposta à aplicação de insumos.
Esta busca constante da qualidade faz parte da herança deixada pelos pioneiros, que foram os próprios ''pesquisadores'' de um longo processo de melhoramento genético. Muitos desses produtores vêm fazendo isto há 35 anos. O conhecimento acumulado por esses inovadores constitui um patrimônio que não se consegue avaliar.
A nova geração, representada por Jorge Noso, Marcos Ito e o próprio presidente da Associação, Willians Iwai, reconhece e faz reverência ao desprendimento de pessoas como as suas próprias famílias e como o pioneiro Satoru Noso, entre outros.
Associação -- Hoje em dia o acesso à informação e às mudanças tecnológica é mais fácil, reconhecem os produtores. A troca de experiência é constante. Em Uraí isto é estimulado pela Associação dos Produtores de Uva de Uraí (Auva).
Willians Iwai, presidente da Auva, relaciona uma série de vantagens proporcionadas pela Associação. Essas vantagens estão na comercialização, no manejo (troca de experiências) e no poder de compra de insumos em condições negociadas. A Associação, através de um conjunto de ações, vai conseguir o que o mercado mais deseja, uma produção homogênea, que torne o produto local um ponto de referência. O exemplo é dado pelo engenheiro agrônomo e produtor Jorge Noso, da Seção Horizonte vice-presidente da Auva. Ele diz que não basta meia dúzia de produtores conseguirem um excelente produto se os demais produtores não acompanham, para formar um grande lote de alto padrão. O mercado quer uma produção homogênea. Então o que é bom para um, tem que ser bom para todos.
Marcos Ito e Lauriston Rodrigues concordam. A troca de informações resulta no crescimento de todos. Se muitos deixaram a atividade por não acompanharem a evolução, Iwai, acredita que outros produtores terão que se atualizar ou sair do mercado. Produzir uva é para profisisonal - afirmam Iwai e Jorge Noso.
Willian Iwai, acha que Uraí tem um compromisso com sua comunidade e com o mercado nacional ao abastecer grandes redes de varejo. O município tem vocação para a uva, que gera emprego, que movimenta o mercado, que faz a riqueza fluir na região. A técnica e o amor à atividade são a marca de Uraí, mas as condições de solo e clima têm algo que ajudam a fazer a diferença.

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