Pesados subsídios que chegam a US$ 1 bilhão por dia (US$ 360 bilhões ao ano) e um controle da oferta através de cotas protegem a produção agropecuária na Europa. No setor de frutas e lácteos, a produção é submetida a um sistema de cotas entre os vários países que compõem a Comunidade Econômica Européia, o que impede uma superprodução e consequentemente desvalorização nos preços. Diante da restrição de produzir além das cotas, os produtores europeus se dedicam a produzir com o máximo de qualidade.
Para conhecer como funcionam os sistemas de produção e comercialização agrícola na Europa, a Federação da Agricultura do Paraná está promovendo aos presidentes de sindicatos rurais uma viagem técnica de 15 dias para a Europa, onde eles visitam propriedades e cooperativas na Espanha, França, Alemanha e Itália. A primeira viagem foi feita no mês passado. Atualmente um segundo grupo está visitando os quatro países.
FruticulturaNa Espanha, os agricultores paranaenses viram que seus colegas espanhóis conseguem produzir frutas tropicais (laranjas) no Sul do País, onde predomina um clima pré-desértico e condições inóspitas de solos. Na região de Murcia, Sul do país, os produtores plantam laranjas e olerícolas (pimentão e brócolis) em áreas médias de 16 hectares. Todo o plantio é feito com irrigação (de gotejamento) e em estufas. Com a falta de água na região, onde chove no máximo 200 milímetros por ano é impossível produzir sem irrigação.
Na produção em estufas, o produtor combate as pragas com controle biológico com ácaros. Os ácaros comem as pragas e com isso o consumo de agrotóxicos é mínimo. Essa é uma preocupação dos produtores espanhóis que se esforçam para atender um mercado de produtos orgânicos que está em crescimento, principalmente na Alemanha e na França.
Com um hectare de terra, os produtores de laranja no Sul da Espanha chegam a obter até 50 mil quilos de frutas por ano, recebendo por isso em torno de US$ 6.000 por hectare/ano. O produtor recebe cerca de US$ 0,30 por quilo de laranja e a cooperativa vende a caixa com 20 quilos de laranja por US$ 12, uma agregação de 100% do valor pago ao produtor.
PlanejamentoAntes de plantar, cooperativas e produtores fazem um planejamento do mercado e estipulam o plantio de acordo com a previsão de demanda. O sul da Espanha produz basicamente para exportar para outros países da Europa (Alemanha, Inglaterra e Itália). Na produção de laranja, as perdas são mínimas, porque as frutas não aprovadas para o consumo in natura são destinadas à indústria de sucos.
As cooperativas recorrem à tecnologia para agilizar os sistemas de classificação e embalagem das frutas, que permitem a agregação de valor na produção. Predomina a mão-de-obra feminina nesse trabalho porque é mais barata. Enquanto os homens ganham em torno de 690 pesetas por hora, as mulheres ganham 665 pesetas por hora.
A classificação é feita com equipamentos à base de células fotoelétricas que separam as frutas de acordo com a cor, tamanho e qualidade. As frutas com deformações são descartadas. No fim da linha de classificação, as frutas são acondicionadas em pequenas caixas com no máximo 30 frutas cada uma e embaladas com todo cuidado, de forma artesanal. Os agricultores do Paraná constataram que esses cuidados no manuseio da fruta visam atender um mercado, cujos consumidores são muito exigentes ao comprar frutas in natura.

mockup