Subsídios prejudicaram em 97
A concorrência predatória de alimentos importados com financiamentos internacionais longos e baratos foi um dos principais pontos negativos para a agricultura e cooperativas no ano de 1997, enquanto o crédito interno foi escasso e os juros altos.
Esta é a opinião do presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, ao fazer uma análise do comportamento do setor primário: O ano foi muito complicado, cheio de incertezas. Com as importações subsidiadas, tivemos pesadas perdas para os produtores de leite, frango, suínos, miho, trigo, algodão e suas cooperativas.
Assim mesmo as cooperativas do Paraná aumentaram seu faturamento em US$ 200 milhões, passando para US$ 5,2 bilhões, devido à expansão das cooperativas do setor urbano, das agroindústrias e da produção agropecuária.
As cooperativas participam com 56% da produção total de alimentos do Paraná, e no ano passado (97) inauguraram ou iniciaram novos empreendimentos industriais. Os projetos para os próximos anos somam investimentos que ultrapassam os US$ 350 milhões, o que demonstra a disposição das cooperativas em crescer e consolidar suas posições no mercado, destaca o presidente da Ocepar.
Os principais projetos concluídos ou iniciados em 97 são da Agrária (duplicação do moinho de trigo), Coopervale (abatedouro de aves), Coopavel (abatedouro de bovinos), Cotriguaçu (dobrou sua capacidade de moagem de trigo), Cooperval (usina de açúcar), Cotrefal (indústrias de hortifrutigranjeiros e abatedouro de aves), Confepar (leite longa-vida), Coamo (refino de óleo e ampliação do moinho de trigo) e Centralpar (indústria de leite e derivados).
A histórica falta de visão, do Governo, da importância estratégica do agronegócio é, na opinião de Koslovski, o grande problema da agricultura. Em nossa relação de competitividade com outros países - analisa - nunca seremos tão competitivos em outros setores como podemos ser na agricultura. Temos clima adequado, água, solo e extensão territorial invejáveis. Isto sempre nos é mostrado pelos visitantes de outros países, ligados ao agronegócio. Mas, falta-nos o essencial, que é uma visão de longo prazo, um planejamento estratégico essencial; incentivos iguais aos dados pelos outros países. Só assim poderemos pular das atuais quase 80 milhões de toneladas por ano para 100 milhões de toneladas-ano, em poucos anos
Na opinião do presidente da Ocepar, a produção agropecuária brasileira é vergonhosa diante de nosso potencial. Além de políticas de longo prazo, ele preconiza, é preciso reorganizar a agricultura, iniciando pela estruturação do próprio Ministério da Agricultura, dando-lhe força política e independência dos demais, aos quais sempre esteve atrelado. Depois, é preciso cuidar de pontos fundamentais como seguro rural, desenvolvimento tecnológico, processo comercial com garantia de remuneração mínima ao agricultor; qualidade e produtividade, reformas (especialmente da tributação sobre os alimentos), crédito, relações com os blocos econômicos, infra-estrutura (portos, estradas, ferrovias, hidrovias, armazéns), agroindústrias, mecanização, questões sanitárias, educação, política fundiária e política externa.
Matéria preparada pela Assessoria de Imprensa da Ocepar.





