Molhos e ensopados, como uma boa galinha caipira, ganham mais cor com as sementes do urucum ou com sua transformação em condimento, batizado como colorau. Parece até que o tom quase vermelho intensifica o sabor, já que temos a característica de comer primeiro com os olhos.
  O nome, como sugere, foi dado pelos índios Tupi (Uru-ku, que significa vermelho). É uma planta nativa da América tropical. Seu cultivo comercial ocorre em vários locais – especialmente na Amazônia – e em outros países também de clima quente. Ah! Se fosse possível somar o cultivo de fundo de quintal, com certeza o urucum ganharia status de commodity.
  Para o tempero caseiro o preparo é bem fácil. Basta um pouco de óleo, suficiente para umedecer as sementes, e depois misturá-las com o fubá, farinha de milho ou de mandioca (a proporção é uma parte de sementes para duas de farinha), batidas no liquidificador ou – para quem ainda guarda essa relíquia – socadas no pilão.
  Dá também para preparar as sementes do urucum em forma de óleo. Para isso a receita é misturar três partes de óleo para uma de semente e deixar curtir por, no mínimo, uma semana.
  Essa sementinha é realmente poderosa! Mais que emprestar sua cor aos nossos paratos – o urucum é muito utilizado pela indústria de alimentos e cosméticos –, ele por inteiro (raízes, folhas e sementes) tem importantes propriedades medicinais.
  Segundo médico Rui Diniz, nosso colaborador na coluna Plantas Medicinais, as raízes têm função digestiva e diurética; as folhas são antitérmicas e diuréticas. As sementes são ainda mais poderosoas, agem como expectorante, depurativa, antitérmica, afrodisíaca, repelente de insetos, adstringente e antidiarreica. Ele alerta para alguns efeitos colaterais: a casca da semente pode produzir efeitos tóxicos no pâncreas e fígado, acompanhadas de variações no nível de glicose. O urucum é também contra-indicado na gravidez e lactação.

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