SUA MAJESTADE A PLANTA
A folhagem do comigo-ninguém-pode, ou dieffenbachia seguine, tem grande reconhecimento entre aqueles que acreditam na existência de mal-olhado, maus espíritos, inveja e azar. É comum, em algumas residências, estar a planta postada do lado esquerdo da entrada da casa ou bem no corretor que dá acesso à moradia. Quem possui a planta, as vezes por dissimulação, alega tê-la apenas para decoração, disfarçando ao fazer graça de quem acredita em tal crendice. Na dúvida, sempre é bom espantar o mau-agouro.
Mas ao invés de espantar as más influências, o vegetal pode acabar representando desespero para desavisados, pois é altamente tóxico. Todas as partes da planta são tóxicas: caule, folhas e látex (aquele líquido viscoso e esbranquiçado liberado pelas folhas e pelo caule). Em sua seiva e folhagem se encerram cristais de oxalato de cálcio, pródigos em provocar em quem ingere as folhas edema na garganta, levando à asfixia e, em casos extremos, até à morte. Crianças são as maiores vítimas, porque o colorido verde, amarelo e branco das folhas atraem a atenção.
Nem por isso, a folhagem deve ser banida da casa, mas o acesso deve ser dificultado ao extremo para a criançada. O comigo-ninguém-pode é uma planta da família das Araceace e é utilizada largamente na ornamentação de ambientes. Devido estas características, a planta tolera baixa luminosidade e baixa umidade relativa do ar. Suas folhas chegam a ser lustrosas e possuem alta resistência. Apesar do incômodo, nunca é demais proteger o corpo, sem é claro esquecer do espírito. A comigo-ninguém-pode imita a vida, o bem e o mal convivem para dar o belo e, ao mesmo tempo, proteger a alma. (Edson Pereira Filho)





