Molhos e ensopados, como uma boa galinha caipira, ganham mais cor com as sementes do urucum ou com sua transformação em condimento, batizado como colorau. Parece até que o tom quase vermelho intensifica o sabor, já que temos a característica de comer primeiro com os olhos.
  O nome, como sugere, foi dado pelos índios Tupi (Uru-ku, que significa vermelho). É uma planta nativa da América tropical. Seu cultivo comercial ocorre em vários locais – especialmente na Amazônia – e em outros países também de clima quente. Ah! Se fosse possível somar o cultivo de fundo de quintal, com certeza o urucum ganharia status de commodity.
  Para o tempero caseiro o preparo é bem fácil. Basta um pouco de óleo, suficiente para umedecer as sementes, e depois misturá-las com o fubá, farinha de milho ou de mandioca (a proporção é uma parte de sementes para duas de farinha), batidas no liquidificador ou – para quem ainda quarda essa relíquia – socadas no pilão.
  Dá também para preparar as sementes do urucum em forma de óleo. Para isso a receita é misturar três partes de óleo para uma de semente e deixar curtir por, no mínimo, uma semana.
  Essa sementinha é realmente poderosa! Mais que emprestar sua cor aos nossos paratos – o urucum é muito utilizado pela indústria de alimentos e cosméticos –, ele por inteiro (raízes, folhas e sementes) tem importantes propriedades medicinais já divulgadas inclusive em nossa coluna ‘‘Plantas Medicinais’’, na edição do dia 17 de fevereiro de 2007.
  Nosso colaborador, doutor Rui, diz que as raízes têm função digestiva e diurética; as folhas são antitérmicas e diuréticas. As sementes são ainda mais poderosoas, agem como expectorante, depurativa, antitérmica, afrodisíaca, repelente de insetos, adstringente e antidiarreica. Ele alerta para alguns efeitos colaterais: a casca da semente pode produzir efeitos tóxicos no
pâncreas e fígado, acompanhadas de variações no nível de glicose. O urucum é também contra-indicado na gravidez e lactação.

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