SUA MAJESTADE A PLANTA - Por que não ter uma fruta no quintal?
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sábado, 29 de novembro de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Ter uma árvore no quintal é garantia de sombra e tranquilidade. Mas ter uma árvore frutífera no quintal é a garantia também de mais qualidade de vida e diversão, principalmente quando se tem crianças pequenas em casa. É o que comprovou um casal londrinense que decidiu cultivar uma espécie da família da fruta-do-conde e hoje colhe os frutos da iniciativa. E quem entende do assunto garante que não há grandes segredos para se criar pequenos espaços nas grandes cidades. Basta apenas tomar alguns cuidados antes de se decidir por esta ou aquela espécie.
Olhar para a árvore de fruta do conde, na porta de entrada da casa, carregada com frutos permite ao casal sentir o cheiro de infância, da delícia que era comer a fruta tirada diretamente da árvore, da mãe ralhando apreensiva por causa do perigo da queda e dos avós achando graça em tudo. ''Eu fiz isso a minha infância inteira'', recorda a esposa, hoje a mãe zelosa de duas crianças.
O pequenos, aliás, não perdem uma oportunidade de se divertir em brincadeiras na árvore. ''A gente brinca de pega-pega e tem que correr até a árvore'', revela a menina. A duplinha já teve até um balanço no pé de fruta do conde. E, além de fortalecer a relação dos irmãos, a mãe diz que a vizinhança também é atraída pelas frutas. ''Todo mundo que me pede eu deixo levar porque acredito que a gente recebe tudo em dobro'', valoriza.
O casal conta que plantou a frutífera por ser frondosa, dar sombra e frutos saborosos. Mas lamentam que na rua do condomínio horizontal onde vivem, pouquíssimos são os quintais arborizados. E mais raros ainda são aqueles com frutíferas. ''Todo mundo se preocupa em ter um gramado bonito mas ninguém planta árvores'', lamenta ela.
Pesquisador qualificado de plantas nativas, o botânico Henrique Garcia Rocha, do Viveiro Flora Londrina, garante que não há segredos em se cultivar frutíferas de Mata Atlântica em pequenos espaços urbanos. Pelo contrário. Para espaços pequenos, murados e com construções próximas, o especialista orienta que não devem ser plantadas espécies que ficam muito altas quando adultas. Rocha lista que as mais apropriadas seriam a grumixama (parecida com a jabuticaba), pitanga, pitanga preta (cujo fruto é maior e mais saboroso), uvaia, cereja-do-rio-grande e araçá. Todas produzem frutos com muita polpa que podem ser consumidos in natura, em sucos ou serem congelados. E nem o preço é impeditivo: as mudas custam a partir de R$ 2,00.
Outro ponto positivo é o manejo fácil e os profissionais do viveiro prestam toda orientação necessária aos compradores. ''São espécies que ocorrem naturalmente na nossa região e, por isso, já estão adaptadas ao nosso clima e solo'', explica o botânico. Como são da região, as plantas atraem moradores muito especiais: aves como as do grupo do sanhaço ou sabiá, por exemplo, que se alimentam dos frutos e estão adaptadas ao ambiente urbano.


