Startup com foco na piscicultura já se reuniu com a IBM

É impressionante como uma boa ideia e o conhecimento técnico, alicerçados num ambiente favorável, podem transformar um negócio. O engenheiro agrônomo Luiz Henrique Volso e seu sócio João Maximiliano Marcondes têm notado isso com a sua nova empresa, a TATILFish. A startup ficou em segundo lugar no Hackaton Smart Agro deste ano com uma ideia ligada à piscicultura e entre uma das seis escolhidas para ingressar na Aceleradora Go SRP Agritech. Tudo está fluindo tão rapidamente que os empreendedores apresentaram recentemente o projeto para a IBM, que tem interesse em auxiliar nos próximos passos do trabalho.
Volso se formou em agronomia em 2005, na sequência começou a trabalhar na área no estado do Mato Grosso, mas acabou pegando uma crise de preços nas commodities e não conseguiu mais se colocar no mercado. "Assim, fui trabalhar com tecnologia, algo que sempre gostei, participando de uma sociedade numa empresa de desenvolvimento de sites".
Numa reunião no Sebrae, expôs aos consultores a vontade de aliar tecnologia com agronomia e a equipe sugeriu que eles participassem do Hackaton deste ano, durante a ExpoLondrina. Deu certo. Ouvindo a necessidade dos piscicultores durante o evento, a startup partiu para o desenvolvimento de uma estação de monitoramento instalada em tanques de peixe. O objetivo é captar variáveis sobre a qualidade da água, especialmente temperatura e nível de oxigênio dissolvido. Essas informações são monitoradas, via aplicativo, facilmente pelo produtor.
Volso explica que o hoje o piscicultor faz esse controle geralmente por um oxímetro, um aparelho caro e que exige mão de obra qualificada e comprometida, pois são necessárias marcações manuais frequentes, inclusive de madrugada. "O funcionário que capta esses dados geralmente é pouco especializado. Dentro desse processo, existe muitas formas de dar errado e causar problemas no manejo".
Com a estação, é possível medir esses parâmetros de hora em hora, em "real time", gerando um histórico individual de cada tanque. "Com o monitoramento da temperatura da água, que está ligada ao metabolismo dos peixes, é possível medir o quanto de ração é necessário para os animais e, assim, deixa de desperdiçar algo que é tão oneroso aos custos de produção. Já a medição do oxigênio dissolvido está ligado à sobrevivência dos peixes. Temos uma interface que monitora e controla os aeradores, aparelhos que incorporam oxigênio na água. Dependendo do nível de oxigênio, o aparelho é acionado ou desligado, o que gera também uma economia de energia".
Um protótipo em fase de testes está sendo trabalhado em Rolândia, na Aquabel, e o próximo passo é o estudo de como industrializar esse equipamento o quanto antes. Neste meio tempo, na reunião com a IBM eles receberam algumas ideias para criar soluções para o equipamento. A empresa norte-americana se colocou à disposição uma plataforma que estão desenvolvendo para o agro, que pode ajudar na evolução da TATILFish. "Também faremos um planejamento comercial, ver os custos, como será a instalação. A estimativa é colocar no mercado, talvez ainda não todo finalizado, em novembro deste ano. O agronegócio está em alta e precisa de tecnificação". (V.L.)





