Stallmam e sua razão definitiva para o café
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de novembro de 2010
Widson Schwartz <BR>Especial para a FOLHA 
A estatística do café paranaense ameaça descer até o último hectare e riscá-lo do mapa, faz presumir a curva no decênio mais recente, saindo de 170 mil para os atuais 82 mil hectares, conforme a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento (Seab) Jacob Stallmam, porém, está convicto de que o café continua a ser ''o seguro'' da pequena propriedade, motivo de sua produção em 7,26 hectares, pouco menos de um terço do sítio de 10 alqueires, no município de Anahy, a oeste
É a experiência de quem nasceu em propriedade familiar no Heimtal (Londrina), aprendeu ''tudo sobre café'' e logo após a geada de 1975 entrou no sítio ainda por desbravar ''Até hoje, não trabalhei em outro serviço Só plantei, colhi e transportei café'', diz Stallmam aos 68 anos
O Paraná chegou a ter café em 1,8 milhão de hectares (1961-1962), a geda de 1975 apressou as erradicações e nos primeiros anos 90 a área decresceu de 400 mil para 290 mil hectares Então, o Plano Integrado de Revitalização da Cafeicultura, com o modelo Iapar introduzindo o plantio adensado, acenava com a perspectiva de se estabilizar o parque em 250 mil hectares no decorrer de 16 anos
Stallmam conta que era porcenteiro na gleba Caiubi (Rolândia), ''tocava uns cinco mil pés'', e tinha a produção estocada quando ocorreu a geada em 18 de julho de 1975 Resultando a alta valorização também do produto em coco, pode mudar-se, em 1976, para cinco alqueires comprados anteriormente, entre Ubiratã e Corbélia, acessível pela estrada de Anahy a partir da BR-369 no patrimônio Ouro Verde
Ainda precisava desmatar, mas conhecera a terra antes de comprar, ''sabia que era boa''; vizinhos procedentes de Jaguapitã e Cornélio Procópio já tinham cafezais formados E Stallmam acrescentou cinco alqueires contíguos, adquiridos de um cunhado Soubera que muito palmito havia sido furtado, ''caminhões cheios'', mas ainda hoje há palmiteiros em quatro alqueires de mata nativa preservada
''Quando as lavouras tinham dez anos, aqui era o melhor café do Paraná, em um ano colhi 28 mil quilos limpos'', orgulha-se E ocorreram apenas duas geadas em 35 anos, só uma tão drástica a ponto de ser necessário cortar os cafeeiros para deixá-los rebrotar Atualmente são nove mil pés, ainda no sistema antigo; a safra recém-colhida passou de mil sacas em coco por estar no biênio mais produtivo ''Café é o seguro da propriedade, dá muito trabalho, mas compensa ''
Armazenado, acaba sendo uma reserva de valor a ser usada numa emergência, ''só vendo na precisão'', ou para se obter um bom capital se negociado quando o mercado está em alta, conforme a experiência de Stallmam
Se nos primórdios da colonização do Norte Novo o modelo de cafeicultura nas pequenas propriedades já era diversificador ao permitir culturas intercalares e em áreas separadas, atualmente a família Stallmam tem uma ''cesta'' de commodities - café, soja, milho e trigo -, possível porque comprou outro sítio, no qual o filho, Cláudio, destina uma parte à rotação soja-trigo e outra à pecuária de leite Outra cultura valorizada, pelo interesse da indústria, é a mandioca


