A Sociedade Rural do Paraná (SRP) planeja protocolar junto ao governo do Paraná as conclusões de dois relatórios sobre as dificuldades para parar com a vacinação contra a febre aftosa no Estado, na qual pede cuidado antes de qualquer decisão. Assinados por Sergio de Zen, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e Amauri Alfieri, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), os estudos apontam grande risco de retorno da doença em pouco tempo, como ocorreu no Rio Grande do Sul em 2005.
Na ocasião, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) havia dividido o País em circuitos pecuários e os três estados do Sul formavam um desses grupos, no qual houve a proposta de que se parasse com a vacinação. Os gaúchos interromperam a imunização e, menos de 12 meses depois, a entrada de gado sem documentação vinda da Argentina para o município de Joia gerou focos da doença. Paraná e Rio Grande do Sul decidiram se precaver com o retorno da vacinação. "O governo e a indústria de Santa Catarina decidiram continuar o processo isoladamente", conta o presidente da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Enori Barbieri.
No estudo do professor Alfieri, ele cita que, em fase avançada no controle da aftosa, é recomendada a retirada da vacinação, evitando mascarar a presença do vírus nos rebanhos. Porém, adverte que o rebanho pode se tornar suscetível à forma clínica da infecção. Risco que demanda investimento.
Conforme estimativa da SRP, o custo para criar barreiras físicas em 23 postos de controle no Paraná pode chegar a R$ 400 milhões ao ano. A entidade pede que seja criado um bloco maior de estados, com São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, para que o programa dê certo.
Já o professor Sergio de Zen aponta que o Paraná é o terceiro maior produtor de carne suína, o terceiro na produção de leite e nono na pecuária de corte, que exportou apenas 1,8% do total em 2013 e 2014. Por isso, a SRP teme que os ganhos sejam pouco significativos no Estado frente os custos. "A tomada de decisão para suspender a vacinação no Paraná requer estudos profundos. Por esta razão propõe-se análise de riscos e motivação para a conquista do novo status e de novos mercados", informa o relatório da entidade. "Entendemos e continuamos a defender que vivendo na era do mundo globalizado, fechar, limitar ou restringir fronteiras comercias pode não ser o mais indicado", completa.
O presidente da SRP, Moacir Sgarioni, diz que 35 associações brasileiras assinam o documento. "O risco de a aftosa voltar existe e queremos que a política seja da União, e não só do Estado", afirma. "Temos sócios do Paraná que não poderão trazer bezerros de outros estados para recriar aqui", explica.

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