Vacinação contra aftosa tem sido garantia da sanidade dos rebanhos no mercado internacional, defende SRP
Vacinação contra aftosa tem sido garantia da sanidade dos rebanhos no mercado internacional, defende SRP | Foto: Shutterstock



A SRP (Sociedade Rural do Paraná), juntamente com mais 37 entidades, contra- argumenta de forma incisiva a Faep e se manifesta contrária à campanha de acelerar o processo do fim da vacinação. Para este grupo – "entidades que efetivamente representam a pecuária" - a reivindicação é que o Estado siga o calendário do PNEFA, traçado pelo Mapa, que prevê a retirada da vacina no Paraná em 2021, junto com os estados do seu bloco: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para as sociedades rurais e outras entidades da pecuária, este isolamento do Paraná do processo não é vantajoso tecnicamente e muito menos economicamente, ou seja, não haveria ganhos para as outras cadeias de proteína, como suínos, aves e lácteos. Segundo dados levantados por esta vertente, "Santa Catarina, que parou a vacinação do seu rebanho em 2007" reduziu em 3,4% suas exportações de suínos entre 2007 e 2014, enquanto o Paraná aumentou em 16,22%", de acordo com levantamento da Secretaria de Comércio Exterior / Ministério de Desenvolvimento/ Indústria e Comércio Exterior.

Outro ponto bastante incisivo da SRP e seus apoiadores é que "a vacinação contra aftosa tem sido uma garantia da sanidade dos rebanhos perante o mercado internacional. Não fosse assim, as exportações não viriam crescendo". "Outros estados vacinadores estão conseguindo contratos com a China e isso com o status de área livre de aftosa com vacinação. O mais prudente então é que sigamos o cronograma. Se o Paraná que fazer isso de forma independente, que faça com apenas um ano antes (do término do prazo), porque assim o impacto na produção seria pequeno", explica o diretor de pecuária da SRP, Ricardo Rezende. "A Adapar tem feito bons trabalhos, mas ainda está longe de ter uma segurança sanitária realmente boa", complementa.

A dependência atual de animais bovinos de fora do Estado para recria e engorda também preocupa os pecuaristas. Segundo as sociedades rurais, são cerca de 30% dos animais vindos de outras regiões para essas atividades. "Antecipando o fechamento das barreiras sanitárias, a pecuária muito rapidamente vai cair em decadência total. Os animais de recria vão encarecer, a arroba por estudos já feitos via Cepea não valorizará para conseguir cobrir esses custos. O maior custo de um "invernista" é justamente a matéria-prima: o bezerro e o boi magro. Não cobrindo esses custos, atividade cai em inanição. Uma diminuição maior ainda do rebanho do Estado".

No que diz respeito do argumento da Faep com a economia de vacinas, Rezende rebate dizendo que o PNEFA exige um fundo de prevenção sobre a aftosa. "Quem vai pagar esse fundo? Acho difícil que seja o governo do Estado. A Faep diz que as indústrias fariam, mas no final das contas vai sobrar para o produtor. Vamos deixar de investir na vacina para pagar esse fundo."

Por fim, o diretor de pecuária da SRP questiona se, de fato, é viável produzir bezerros no Estado, pensando no sistema de agronegócio já implementado aqui. "Para produzir bezerros precisamos de vacas, e eu não consigo colocar esses animais no mesmo lugar da agricultura. Fazer atividade de cria no Paraná é extremamente onerosa por conta dos valores da terra. É um trabalho em escala. Os nichos de mercado, de carne de qualidade, não absorvem esses custos. Vale dizer que 80% da nossa produção é voltada para o mercado interno", complementa ele.

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