O Paraná foi o primeiro Estado a se preocupar em produzir cafés diferenciados, de olho nas boutiques de cafés dos Estados Unidos e Europa. É paranaense o único produtor brasileiro credenciado na Sociedade Americana de Cafés de Qualidade, a Fazenda Califórnia, da família Ferroni. Mas o Estado de São Paulo acaba de entrar para valer nesse negócio, que promete muita receita.
Esta semana, São Paulo deu o primeiro passo para exportar produtos de maior valor e ampliar a receita de vendas ao exterior do agronegócio. O café encabeça a lista de produtos agroindustriais que receberão a chancela do Programa de Qualidade Selo São Paulo. Depois do café, já há uma série de 15 itens, entre frutas, verduras e legumes, diz o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles. ‘‘Quero que as verdurinhas brasileiras cheguem aos mercados de Nova York e Paris.’’
O ‘‘Selo São Paulo de qualidade para o café torrado e moído’’ é uma espécie de passaporte para que o produto beneficiado amplie as exportações. Além disso, a intenção é estimular o gosto no mercado interno pela bebida de boa qualidade.
No ano passado, o Brasil exportou 40 mil sacas de 60 quilos de café torrado e moído. Com o selo de qualidade, a meta é quintuplicar esse volume em três anos, ampliando as vendas para os Estados Unidos e Europa e incluindo no rol dos compradores países do Oriente, prevê o presidente do Sindicato das Indústrias de Café do Estado de São Paulo (Sindicafé) e da Câmara Setorial do Café, órgão da secretaria estadual de agricultura, Nathan Herszkowicz.
A maior parte das exportações de café é do produto verde, de menor valor, cujo preço é ditado pela cotação da commodity no mercado internacional. Em 2001, o País vendeu ao exterior 23 milhões de sacas de café verde. ‘‘Esse número revela a falta de uma ação exportadora’’, diz o presidente do Sindicafé. Na sua avaliação, o potencial do café com selo de qualidade para ampliar o valor das exportações é enorme. Um quilo de café de qualidade certificada é vendido no exterior por cerca de US$ 20, enquanto o produto de qualidade equivalente custa no mercado interno US$ 4,8. ‘‘O nosso potencial de competitividade é grande’’, ressalta o presidente do Sindicafé.
O secretário de Agricultura conta que o selo de qualidade do café é resultado de um trabalho de três anos de certificação da cadeia produtiva. ‘‘Com esse selo, estamos atestando a qualidade do café da semente à xícara’’, afirma Meirelles. Ele diz que os produtores foram cadastrados e passou a ser acompanhada toda a cadeia de produção da bebida, isto é, os tratos culturais da lavoura, a forma de colheita e beneficiamento, a maneira como o produto é selecionado e embalado.
A Fundação Vanzolini foi contratada para estabelecer a metologia de classificação e a cadeia produtiva do café passou a ser acompanhada por empresas contratadas. Para receber o selo, os lotes do produto são analisados por laboratórios credenciados pelo programa.
Os primeiros produtos certificados com o selo São Paulo de qualidade, que terá a bandeira paulista e a tarja ‘‘Café Gourmet’’ ou ‘‘Café Superior’’, estão previstos para chegar ao mercado a partir do mês que vem. Ao todo serão cerca de 20 marcas que terão essa certificação.
Paralelamente ao lançamento do selo, será feita nos próximos 40 dias uma campanha de degustação de café selecionado e classificado como gourmet. É a terceira edição do evento no segmento em parceria com entidades do setor gastronômico. A bebida selecionada será degustada em 17 restaurantes paulistanos.

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