Soro de leite também vira comida para suínos
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sábado, 23 de novembro de 2002
Cláudia Barberato<BR>Reportagem Local 
O produtor Martin Heiser, de Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, é mais um suinocultor que ''achou'' uma alternativa para enfrentar o aumento de custos na produção de suínos. Ele está usando soro de leite, fornecido de graça por um laticínio que fica próximo de sua fazenda.
Heiser tem uma propriedade onde cultiva trigo, cevada e aveia no inverno; milho e soja no verão. A suinocultura soma uma produção de 300 animais de terminação e engorda e completa a diversificação da propriedade. Heiser se considera um privilegiado em relação a outros suinocultores de sua região em poder utilizar o soro, restante da fabricação de queijos, para alimentar seu plantel. ''Muita gente está vendendo animais para superar os prejuízos. Outros não têm alternativas de alimentos para fornecer ao plantel.''
De acordo com Heiser, o uso do resíduo chega a reduzir 40% do custo da ração que fornece aos animais e, portanto, diminui seus custos de produção. O produtor estava recebendo uma média de R$ 1 a R$ 1,10 por quilo de carne produzida, enquanto a mesma carne é vendida no varejo por R$ 4,50 a R$ 4,80 em média. Nos últimos dias, segundo Heiser, uma ''reagida'' no mercado chegou a remunerar o produtor a R$ 1,50/1,60 pelo quilo, o que ainda é insuficiente. A maioria dos suinocultores daquela região tem trabalhado com custos de produção de R$ 2,00 em média, com tendência a aumentar ainda mais em função do mercado do milho, insumo essencial na atividade.
Heiser, um observador do mercado agropecuário por necessidade até de sobrevivência, destaca que em anos que a agricultura vai mal a suinocultura consegue boa rentabilidade, como aconteceu com ele no ano passado. No ano que a agricultura vai bem, a lucratividade da suinocultura desaparece. ''Por isso o produtor, que tem uma propriedade diversificada, deve aprender a conviver com estes altos e baixos, buscando equilíbrio, perdendo de um lado e se organizando para ganhar de outro,'' ensina. O bom gerenciamento, segundo Heiser, além do planejamento da compra de insumos, do que plantar, entre outras decisões, devem ser tomadas com boa antecedência, mas de olhos no futuro.


