Peça fundamental no desenvolvimento da atividade agrícola, a mulher tem ganhado cada vez mais espaço no mundo do agronegócio. Seja cozinhando para o marido lavrador, trabalhando na roça ou até administrando grandes propriedades como uma verdadeira empresária rural, a figura feminina contribui diretamente para o sucesso da família do campo.
Trabalhadora na lavoura de café, Maria Ribeiro de Oliveira, 29 anos, resolveu reverter a sitação precária em que vivia com o marido e o filho de sete anos e investiu na produção de derivados agrícolas para complementar a renda da casa. Hoje, ela preside a Associação de Mulheres - A União Faz a Força, do Patrimônio Vaz, em Congonhinhas (55 km ao Sul de Cornélio Procópio). ''A nossa vontade é tirar as mulheres da roça para que elas possam gerar outra renda para a família'', diz Maria.
Ela conta que a associação nasceu em 2002, quando cerca de 30 mulheres de Congonhinhas, com idade entre 16 e 45 anos, se uniram para desenvolver atividades complementares ao trabalho no campo. Com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), elas puderam se especializar na produção de alimentos derivados do leite, compotas e artefatos feitos em bambu. ''Também costuramos lingeries, fabricamos potes de cerâmica e peças de pintura em tecido'', assinala Maria.
Este ano, elas passaram a fornecer também pães caseiros, bolachas e frutas para escolas públicas da região como integrantes do projeto Compra Direta. Maria explica que para cada cota fornecida, as mulheres recebem R$ 2,4 mil do governo federal. O dinheiro é dividido entre as participantes, que ganham, em média, R$ 800 cada. ''Além de divulgar os ítens produzidos na associação, nós preparamos festas diversas como mais uma alternativa de renda'', informa.
Com o lucro das vendas, da prestação de serviços e do Compra Direta, as senhoras já compraram um terreno no próprio patrimônio, onde estão contruindo o barracão que será a sede da associação. A estrutura ainda é precária, mas conta com duas máquinas de costura para a confecção das lingeries e panos de prato. De acordo com Maria, a associação apresentou um projeto de uma cozinha piloto para o governo estadual, pelo qual ainda espera resposta.
''Agora, depois de três anos de muito trabalho, estamos sendo reconhecidas e com isso ganhando mais espaço no mercado'', aponta Maria. Das mais de 30 mulheres que iniciaram a associação, apenas 18 acreditaram no poder de fazer a diferença. ''Até o projeto começar a dar lucro, demorou. Por isso, muitas voluntárias precisaram deixar a associação para trabalhar na roça e ajudar a família'', ressalta.
Mesmo assim, Maria acredita que os bons resultados deverão chamar a atenção de novas voluntárias num futuro próximo. ''Hoje somos bem conhecidas na região'', afirma. Para ela, mais que renda para as famílias, a associação contribui para a geração de emprego, que garante o desenvolvimento do município. ''Tenho certeza que a associação ainda vai crescer muito mais'', finaliza.

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