Solução para pequenas comunidades
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sábado, 15 de novembro de 1997
Jota Oliveira 
Matéria-primaBagaço de cana pronto para as caldeiras, na usina de açúcar e álcool da Corol, em RolândiaO bagaço da cana que o Paraná mói por safra poderia gerar energia elétrica suficiente para abastecer uma cidade de 1,8 milhão a 2 milhões de habitantes, mais ou menos do tamanho de Curitiba. A informação foi dada esta semana à Folha Rural pelo presidente da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar), Ermeto Barea. A Copel também estuda (ver box) a geração de energia alternativa à fornecida pelas hidrelétricas.
As 98 usinas paranaenses devem moer, nesta safra, de 25,5 a 26 milhões de toneladas de cana. Desta tonelagem 25%, em média, serão transformados em bagaço que poderia gerar 500 megawatts, sem necessidade de aumentar a área de plantio. Seria necessário, apenas, instalar nas indústrias caldeiras e geradores de alto desempenho. O investimento total em um projeto desses, a preços atuais, atingiria em torno de R$300 milhões. Emeto observa que as caldeiras da maioria das usinas são arcáicas.
Antônio Sérgio, diretor industrial da Corol: aproveitamento integral do bagaço
ParceriaA Alcopar fez parceria com a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), para viabilizar aquela possobilidade. Emeto informou que a Copel manteve contatos com uma empresa americana, para estudar a viabilidade e calcular o custo do projeto. Os americanos resolveram sugerir a concentração de toda a biomassa de uma região numa única termoelétrica, na qual seriam aplicados R$100 milhões.
O setor produtivo sucroalcooleiro achou melhor não participar agora desse investimento, mas cada unidade produtora geraria energia, usando o bagaço que produz. Todas as indústrias geram energia, e muitas delas têm sobras que poderiam colocar à disposição da concessionária (Copel) ou, por outros meios, à disposição dos consumidores. Possibilidade existe, e a usina de Cidade Gaúcha, da qual Emeto é diretor, pretende investir na geração de energia para fornecer à Copel ou aos consumidores da sua região.
Temos viabilidade de gerar 20 megawatts, que dariam para iluminar uma cidade como Umuarama (85 mil habitantes). Talvez até um pouco maior. Maringá consome 30 megawatts, exemplifica Emeto. Ele acrescenta que as usinas têm capacidade para gerar esta quantidade de energia. No nosso caso - continua - seria possível gerar 20 megawatts, e o investimento seria da ordem de 10 a 12 milhões de dólares ou reais. Consumimos 3,5 megawatts e sobram de 15 a 16 megawatts.
Mas, fazer aquele investimento, resssalva o usineiro, depende do valor a ser pago pela energia; de um contrato de longo prazo de fornecimento dessa energia; de algum financiamento também para a instalação da caldeira e do gerador de alta eficiência. A execução de um projeto assim levaria 12 meses. A instalação de uma termoelétrica de 200 megawatts demoraria de 4 a 5 anos.
Mário CesarUm dos muitos usos do bagaço de cana é a cobertura do solo, no próprio canavial
A usina de açúcar e álcool da Cooperativa Agrícola de Rolândia Ltda. (Corol) gera, na queima do bagaço que sobra da industrialização da cana-de-açúcar, energia elétrica capaz de abastecer uma comunidade de 600 famílias. Já a Usina Central Paraná (U.C.P.) produz energia que alimentaria uma cidade de 18 mil habitantes, isto é, do porte de Porecatu, onde ela afunciona.
Esta é apenas uma das maneiras de aproveitar resíduos da cana-de-açúcar, mas poderia contribuir para solucionar uma das preocupações atuais: o aumento do consumo de eletricidade e a redução dos fatores de produção de energia, principalmente de fontes não renováveis como o petróleo e o carvão, e a redução das possibilidades dos rios brasileiros, que são as principais fontes nacionais de geração de energia elétrica.
A Corol aproveita totalmente o bagaço e não depende, para movimentar a usina, da compra de energia. O engenheiro Antônio Sérgio de Oliveira, doutor em Engenharia de Alimentos e professor da Universidade Estadual de Londrina, é o diretor técnico-industrial da cooperativa de Rolândia. Ele antecipa que a cooperativa pretende estudar o uso, para gerar energia elétrica, também do bagaço de laranja, que produzirá quando a indústria de sucos entrar em operação, em 1999.
ProcuraEm Porecatu, Rossi Darcy Bueno Pupo, chefe da Divisão de Produção de Vapor da Usina Central Paraná, informa que aquela indústria produz vapor que, transformado em energia elétrica, poderia atender uma cidade de 18 mil habitantes - toda a Porecatu.
Mas, como não vende energia elérica e tem muita sobra de bagaço, a U.C.P. vende bagaço para outras indústrias que utilizam esta fonte de energia renovável em suas caldeiras. Entre elas, fornece até para usinas menores, mas também para gigantes de outros setores, como a Citrossuco, de Matão (SP), que adquiriu 50 mil toneladas de bagaço em Porecatu, pagando R$18,00 a tonelada. O preço varia conforme a distância; no Norte do Estado a Central cobra R$3,50 a tonelada e seu cliente mais distante acha-se a 60 km de Porecatu.
A U.C.P. possui seis caldeiras, cada uma com capacidade nominal para queimar 25 toneladas por hora de bagaço de cana. Uma tonelada de cana limpa deixa na moagem 25% de seu peso transformado em bagaço. Para transformar parte desse bagaço em energia elétrica, a usina possui três máquinas de 8 MW (megawatts) cada uma. Do excedente do seu consumo próprio, parte poderia - admite Rossi - ser repassada para consumo externo, para reforçar sistemas convencionais de geração de energia elétrica.


