Solução para áreas rural e urbana
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de janeiro de 2001
Cristina Côrtes De Londrina 
O problema não é novo, e a solução também não. A novidade pode estar na vontade política de tentar reduzir os prejuízos ambientais e econômicos provocados pelo lixo urbano, um dos principais desafios dos administradores municipais. Ninguém quer lixo por perto, e normalmente o que a cidade joga fora vai sendo amontoado nas áreas rurais, poluindo nascentes de rios e podendo chegar até as águas subterrâneas. Alguns produtores já começam a se preocupar e discutem alternativa para aproveitamento do lixo orgânico.
A Prefeitura de Rolândia (a 25 km de Londrina) em parceria com a ONG Movimento Nossa Terra, promoveu no último final de semana um encontro entre produtores, representantes de associações de bairro e comerciantes para conhecer o Método Indore de compostagem de lixo, desenvolvido na Índia. Segundo o agricultor e coordenador da ONG, Daniel Steidle, a idéia surgiu a partir da visita que foi feita a Universidade Federal de Santa Catarina, onde há seis anos foi implantado um projeto de compostagem que está funcionando bem, com este método. Vimos neste trabalho a possibilidade de resolver a questão do lixo e fazer retornar para a propriedade em forma de adubo os alimentos que sairam da roça para a cidade , comenta Daniel.
SoluçãoPara falar sobre o processo de compostagem foi convidado o agrônomo e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Caio
de Teves Inácio, que coordenou a implantação do projeto de compostagem que vem funcionando da universidade, no Ceasa de Florianópolis e na Base Aéra de Garopaba (SC).
Segundo Caio, no Brasil, a utilização do método indiano tem custos menores que a compostagem tradicional e o produto final é de excelente qualidade, sendo indicado inclusive para adubar lavouras orgânicas.
O segredo, segundo ele, está na coleta seletiva e na aeração natural. A compostagem só dá bom resultado se feita exclusivamente com o lixo orgânico, ou seja, restos de comida, de cascas e bagaços de frutas e legumes. E a aeração natural é proporcionada pela técnica de construção de leiras do lixo com camadas estratificadas, explica. Não havendo necessidade de revolver as leiras, os custos ficam bem menores, complementa.
VantagensDe acordo com Caio Inácio são inúmeras as vantagens deste tipo de compostagem. Vantagens ambientais, econômicas e sociais. Primeiro que a coleta seletiva vai contribuir muito para a melhoria das condições dos aterros, aumentando inclusive sua vida útil, que normalmente é de apenas 20 anos. O lixo orgânico responde aproximadamente por 50% da fração total do lixo quer vai para os aterros, e é o grande causador da poluição através do chorume que contamina o solo, explica Caio.
Outro aspecto é a redução de custos. Como o lixo orgânico é composto em 90% de água, o que acontece é que os caminhões que transportam o lixo ficam carregando água de um lado para outro a um preço muito alto, comenta. Ao contrário do lixo reciclável, a matéria orgânica não pode ser compactada.
Segundo Caio, neste novo tipo de processo, o agrônomo calcula que a redução dos custos chegue a 30%. O brasileiro produz em média entre 1/2 e 1 quilo de lixo diariamente. Esta quantidade varia conforme a época do ano e as regiões. NovidadeA compostagem é processo antigo, mas a novidade está na técnica de estruturar o lixo em leiras de aproximadamento 2,5 metros de largura por uma altura que seja fácil de manusear, por exemplo, a altura do peito.
Do início de sua formação até sua total transformação leva-se de 3 a 4 meses. A técnica de distribuição vai ser responsável pela aeração natural, sem necessidade de revolver, não necessitando de máquina e nem mão-de-obra para fazer o trabalho.
Os pátios para receber o produto orgânico podem ser implantados próximos aos pontos onde há grande volume de coleta, e não precisa ter calçamento como os aterros.
O agrônomo explica ainda que a coleta seletiva em Florianópolis tem sido feita nos pontos que produzem um volume maior como o Ceasa, os restaurantes, bares, hotéis. Para estes estabelecimentos são fornecidas barricas de plástico, onde o lixo é depositado.


