Solo coberto e bem nutrido
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sexta-feira, 10 de março de 2006
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Evita a erosão, reduz a compactação, melhora a infiltração de água e, consequentemente, aumenta a umidade. Esses são alguns dos benefícios oferecidos ao solo pelo uso de plantas de cobertura. A técnica não é nenhuma novidade na agricultura, mesmo assim, vem sendo reforçada pelos técnicos por auxiliar não só na gradativa recuperação do solo, mas também representar economia e contribuir na geração de renda da propriedade.
O pesquisador Rubens Siqueira, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), lembra que as plantas de cobertura fazem parte das tecnologias desenvolvidas para melhorar a eficiência do sistema de plantio direto. A palha deixada por culturas de cobertura sobre o solo, somada aos resíduos das culturas comerciais, cria um ambiente extremamente favorável ao crescimento vegetal, contribuindo para a estabilização da produção e para a recuperação ou manutenção das características e propriedades físicas, químicas e biológicas do solo.
Outra boa vantagem da palhada, segundo o pesquisador, está em diminuir a temperatura do solo. ''A diferença de temperatura entre a terra coberta e a descoberta chega a superar sete graus celsius. Em épocas de estiagem, por exemplo, essa diferença pode significar, ao invés da morte da semente, condições de boa germinação''.
Dentro do conceito de rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura, segundo o pesquisador, contribui para a ciclagem de nutrientes. ''O sistema radicular de algumas dessas plantas traz nutrientes de partes mais profundas do solo para a superfície. Esse material pode ser melhor aproveitado por culturas subsequentes de raízes mais curtas, como a soja'', explica.
O plantio das espécies de cobertura também exige cuidados, como a escolha de variedades adequadas às condições climáticas da região, a procedência e a disponibilidade de sementes. Siqueira orienta ainda para que o cultivo não ocorra, preferencialmente, em épocas de grandes culturas e ainda que a variedade escolhida não seja hospedeira de pragas e doenças dessas lavouras.
Mais uma análise que deve ser feita na escolha da planta de cobertura é o tempo de decomposição da fitomassa que ela oferece. Esse tempo está relacionado à oferta de carbono e nitrogênio. Plantas que oferecem mais carbono, como as gramíneas, se decompõem mais lentamente. Já as plantas leguminososas podem oferecer até 40% de nitrogênio e têm decomposição mais acelerada. ''Nossa recomendação é para a mistura de plantas, como aveia-nabo-ervilha, que irão fornecer palhada, atuar na descompactação do solo e oferecer nitrogênio. Esse solo terá um melhor equilíbrio de nutrientes'', diz Siqueira.


