Um estudo divulgado recentemente pela Consultoria Céleres, de Uberlândia (MG), aponta que a não utilização da biotecnologia no País, na última década, vem impedindo maiores ganhos aos produtores. Só com a soja transgênica os benefícios seriam de US$ 4,6 bilhões, ou R$ 9,6 bilhões – tendo a moeda americana cotada em R$ 2,09. A cifra alcançada até agora com a oleaginosa não passa de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,1 bilhões). Apesar de o valor ser considerado expressivo, fica muito abaixo das somas acumuladas pelos principais concorrentes como os Estados Unidos e a Argentina, onde o cultivo das plantas geneticamente modificadas é permitido há muito mais tempo.
  ‘‘A diferença entre o realizado e o potencial, US$ 3,1 bilhões (R$ 6,5 bilhões), seria de grande ajuda para o produtor de soja brasileiro, particularmente nos últimos dois anos, em que o setor viveu sua pior crise da história recente, além de beneficiar o Tesouro Nacional, que não necessitaria de um maior grau de intervenção na crise’’, avalia o consultor Anderson Galvão, autor da pesquisa.
  O estudo foi conduzido a pedido do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) e, de acordo com o documento, ‘‘os entraves burocráticos, jurídicos e ideológicos imobilizaram o desenvolvimento da pesquisa e a aplicação da biotecnologia no País’’. Vale lembrar que a variedade de soja GM foi adotada no território nacional em 1997, de forma ilegal até 2003, quando a publicação de uma Medida Provisória autorizou seu plantio e comercialização.
  Anderson Galvão destaca ainda que, na conta do acúmulo de ganhos, se fossem computados os do milho, a soma de rentabilidade saltaria para US$ 6,9 bilhões (R$ 14 bilhões). Já com o algodão, também considerando os próximos 10 anos, o agronegócio perderá a chance de absorver US$ 2,1 bilhões (R$ 4,3 bilhões). O consultor destaca ainda que, para as duas commodities, é necessária a realização de novos estudos, à medida que a adoção do milho GM e do algodão se consolide no Brasil.
  Esses ganhos, como explica Galvão, não se referem ao potencial aumento de produtividade, mas sim à redução de custos da produção. ‘‘No caso do milho e do algodão, em que a tecnologia permite o controle de insetos, há melhoras nos índices de produtividade também’’. No caso específico da soja, a redução nos custos de produção, segundo o consultor mineiro, tornaria novamente viável o cultivo na pequena e média propriedades, predominantes na região sul do Brasil.
  Desde o início da adoção da soja GM, a exportação total do grão dobrou em volume, mostrando que o crescimento da biotecnologia não influenciou negativamente o aumento das vendas externas. ‘‘Essas informações confirmam que os agricultores têm a percepção dos benefícios diretos e indiretos da biotecnologia no agronegócio, e querem continuar seguindo por este caminho’’, comenta Alda Lerayer, Diretora-Executiva do CIB. ‘‘Caso contrário os números estariam na descendente’’, finaliza. (C.G.)

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