Soja tem semana nervosa
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sexta-feira, 25 de abril de 2003
Reportagem Local 
Uma semana atípica para a soja. E, ao contrário do primeiro trimestre, abril marca o início de uma fase de calmaria e preços baixos
Poucas vezes nos últimos anos o mercado de soja mostrou-se tão tenso. Não pelo movimento de compas no mercado interno, que esteve parado, mas pela queda do dólar e da Bolsa ao mesmo tempo.
Na quarta-feira o mercado teve os seus piores momentos. Se o câmbio já vinha derrubando os preços da soja no mercado interno todos esses dias, apesar das altas na Bolsa de Chicago, o que dizer, então, da redução do câmbio somada à queda das cotações internacionais. A Bolsa de Chicago fechou em baixa (1,15%), na quarta-feira, pelo quarto dia consecutivo.
Com o preço futuro em queda e o dólar recuando (1,44%) (comercial a R$ 2,995/3,000 e turismo a R$ 2,950/3,110) o mercado interno ficou congelado nas praças de Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Apucarana e Londrina. No Porto de Paranaguá o recuo foi de 4%, o maior, em um dia, nos últimos três anos.
O preço internacional da soja já não vinha sustentando o mesmo nível das três semanas anteriores. E a acentuada queda do dólar em abril afastou de vez a possibilidade de o mercado do complexo soja continuar mantendo o bom desempenho do primeiro trimestre. Considere-se que o primeiro trimestre deste 2003 foi o melhor dos últimos quatro anos.
Mas abril termina sinalizando que o segundo trimestre será fraco em relação ao primeiro, o que já era esperado. O que se pode dizer é que o mercado como um todo entra num período comparativamente fraco até junho ou julho.
Não que os preços devam ceder mais, mas pela tendência natural que soma vários fatores. As indústrias até lá se abasteceram o suficiente e, como dizem os operadores de mercado, a ''ausência de notícias e fatos que provoquem especulação''.
Trimestre excelente - O mercado andou bem em janeiro, fevereiro e março. ''Estou para ver outro início de ano tão bom'' - comentou esta semana o corretor de uma exportadora que atua no Paraná desde que a soja surgiu, mais de 20 anos atrás, referindo-se aos meses de janeiro, fevereiro, março e ''alguns dias de abril''.
Os dados da Cacex confirmam. Durante o primeiro trimestre, as vendas da soja brasileira em grãos no mercado externo apresentaram acima de 99% se comparado ao mesmo período do ano anterior. E foi maior que em 2001 (30%) e 2000, acima dessa variação.
Além dessa boa performance para o mercado de grãos, também os derivados (complexo soja) cresceram bastante com 1,8 milhão de toneladas exportadas. Foi uma conjugação de fatores, incluindo aí o aumento do consumo mundial. Além disso, ao contrário do que acontece atualmente, o dólar estava mais valorizado agilizando as vendas.


