MelhoristaLeones de Almeida lidera uma equipe de cerca de duzentas pessoas que trabalham em todo o BrasilA conquista do segundo lugar no ranking mundial de produção de soja, com um volume que atualmente ultrapassa os 24 milhões de toneladas, não foi obtida por acaso pelo Brasil. Há mais de 20 anos uma equipe de pesquisadores trabalha duro para que a soja ganhe cada vez mais importância na economia nacional e vença importantes obstáculos, como as doenças que comprometem a sua produtividade.
Os melhoristas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através do Centro Nacional de Pesquisa de Soja, em Londrina, já criaram quase 80 cultivares, hoje plantadas em várias regiões do Brasil. Um sinal de reconhecimento a este trabalho foi dado recentemente, quando um dos projetos desenvolvidos dentro do programa de melhoramento da Embrapa-Soja recebeu o Prêmio Nacional de Projeto de Pesquisa, concedido pela sede da Empresa.
Além de resistentes às principais doenças, as cultivares de soja lançadas pela Embrapa representam maior produtividade
Selecionado entre 500 trabalhos realizados nas 39 unidades de pesquisa da Embrapa em todo o País, o projeto, denominado ‘‘Desenvolvimento de germoplasma e cultivares de soja adaptadas às regiões ecológicas e aos vários sistemas de produção’’, foi criado em 94 e é liderado pelo pesquisador Leones Alves de Almeida. Segundo ele, cerca de 200 pessoas, envolvendo pesquisadores, pessoal de apoio e profissionais de outras instituições, estão envolvidas no desenvolvimento de cada etapa do projeto, que ganhou o prêmio na categoria criatividade.
AbrangênciaNa opinião de Leones de Almeida, a equipe que avaliou, selecionou e classificou os trabalhos deve ter considerado o fato do projeto contemplar todos os problemas vividos pela soja hoje no País, além de envolver muita gente e abranger quase todo o território brasileiro. ‘‘É o maior projeto da Embrapa em termos nacionais’’, afirma.
O melhorista, que trabalha no Centro de Pesquisa de Soja desde a sua fundação, no início da década de 70, lembra que o projeto para desenvolvimento de germoplasma e novas cultivares já contabiliza bons resultados, como o lançamento de 17 variedades, todas resistentes ao cancro-da-haste, só no ano passado. ‘‘Com isso, o problema da doença está praticamente resolvido no País.’’
Agora, as pesquisas com soja têm visado, acima de tudo, a resistência a uma outra doença que vem se disseminando rapidamente pelos campos brasileiros: o nematóide-de-cisto. Ainda este ano a Embrapa vai lançar a cultivar MG/BR-54 (Renascença), a primeira resistente ao verme, no Brasil. Segundo Leones, o nematóide-de-cisto já causa prejuízos nos Estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Além da resistência às doenças, as novas cultivares representam maior produtividade para o agricultor, que pode continuar a usar a mesma tecnologia de antes, beneficiando-se dos resultados sem aumento de custos.
Processo trabalhosoA criação de uma nova cultivar envolve, de acordo com o melhorista da Embrapa-Soja, muitas etapas de trabalho, que levam, em média, 12 anos para serem concluídas. Por isso o programa de melhoramento deve prever, inclusive, problemas que podem surgir no futuro, durante o desenrolar das pesquisas.
E haja pesquisa: todo o processo que culmina com a entrada de um novo tipo de semente no mercado começa com o desenvolvimento de germoplasmas, o que corresponde às fases de criação de linhagens e de testes. ‘‘Baseados nos objetivos estabelecidos - como maior estabilidade na produção, produtividade, boas características agronômicas e resistência às principais doenças -, nós fazemos os cruzamentos, conduzimos as populações e extraimos as linhagens. Estas linhagens passam então a ser testadas em ensaios (que duram de quatro a cinco anos, nas mais diversas regiões), para comprovação dos resultados’’.
Atualmente a Embrapa possui nove melhoristas trabalhando na área de soja. Seis ficam em Londrina e três se responsabilizam pelas pesquisas em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. Também participam do programa de melhoramento pesquisadores de instituições estaduais, como por exemplo a Empaer-MS. ‘‘Com isso - afirma Leones de Almeida - é possível atingir praticamente todo o País com o projeto.’’

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