Soja tem boa perspectiva de rentabilidade pelo 6º ano consecutivo
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sexta-feira, 20 de abril de 2012
Venilson Ferreira <br> <br> Agência Estado 
Brasília - A soja continuará sendo a locomotiva do agronegócio em 2013. A perspectiva é de margens positivas no campo pelo sexto ano consecutivo. A avaliação é do engenheiro agrônomo André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult, que prevê um horizonte de bonança para os próximos anos. A restrição na oferta e a demanda aquecida impulsionaram as cotações da soja para patamares recordes para esta época do ano.
Na opinião do especialista, a crise financeira de 2008 e a de crédito do final do ano passado não interferiram no quadro de escassez que paira sobre o mercado de soja no mundo, que desde a década passada convive com estoques extremamente baixos. Ele observa que o epicentro das crises está nos países desenvolvidos e não nos em desenvolvimento, que têm sido responsáveis pelo aquecimento da demanda mundial de alimentos nos últimos anos.
O analista comenta que nos últimos anos, quando a produção de soja não é afetada por problemas climáticos, a oferta tem sido suficiente para atender à demanda, mas qualquer contratempo tem forte impacto sobre os preços por causa dos baixos estoques. Ele diz que um patamar confortável para a soja deveria ser de 16% na relação estoque/uso, mas nas últimas seis safras os estoques de passagem têm ficado abaixo de 10% do volume consumido na safra.
Ele observa que o problema se repete também com milho, pois nos últimos dois anos os estoques norte-americanos estão em níveis críticos. ''A situação é dramática porque os norte-americanos são os responsáveis pela formação dos preços do milho, pois, além de maiores produtores e consumidores, respondem por 60% do milho exportado no mundo'', diz ele.
No caso da soja, lembra Pessôa, existe a possibilidade de a América do Sul compensar uma eventual restrição de oferta nos Estados Unidos, o que não aconteceu neste ano, porque a estiagem provocou forte quebra nas safras do Brasil, Argentina e Paraguai. ''Adiamos por mais um ano a chance de alívio nos estoques de soja, com uma notícia preocupante para os consumidores, que é a intenção dos norte-americanos de reduzir área neste ano'', diz o consultor.
André Pessôa acredita que os preços da soja se manterão em patamares rentáveis por mais uma década, pois o processo de urbanização nos países em desenvolvimento ainda não terminou. Ele diz que hoje metade da população ainda vive no campo, mas nos próximos anos 70% estarão morando nas cidades. ''O processo de mudança da dieta, com aumento do consumo de proteínas animais, vai continuar ocorrendo. Os fatores que determinam uma demanda muita forte por soja e milho continuarão presentes nos próximos anos.''


