A possibilidade da escassez do petróleo tem movido pesquisadores do mundo todo em busca de substitutos para o ''ouro negro'' na produção de uma infinidade de produtos industriais. A boa notícia são as pesquisas que colocam o óleo da soja como matéria prima de boa parte dessa produção de derivados. Com a vantagem de ter a mesma qualidade, além de ser um produto biodegradável e um recurso renovável.
No Brasil, a pesquisa ainda é tímida e, fora do circuito ''óleo e farelo'', a soja está despontando como um dos ''ingredientes'' que permitem a produção do biocombustível. Nos Estados Unidos, entretanto, a introdução de novas tenologias já coloca o grão na produção de muitos produtos, entre eles os lubrificantes.
A pesquisadora Mercedes Carrão Panizze, especialista em melhoramento de plantas e em ciências de alimentos, retornou recentemente daquele país, e conta que o óleo utilizado como matéria prima não é igual ao utilizado no consumo humano. ''Ele sofre algumas modificações químicas em sua estrutura'', explica. Um experimento feito sob orientação da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), está utilizando um produto à base de óleo de soja na lubrificação do elevador que dá acesso à estátua da Liberdade. Com a comprovação da durabilidade e a sua compatibilidade com os produtos convencionais, os americanos deverão implantar o uso desse lubrificante na manutenção dos equipamentos de todos os parques nacionais.
O óleo de soja substitui ainda as resinas utilizadas na fabricação de componentes internos de automóveis, nos emborrachados que servem de base para os carpetes, protetores solares, colas para compensados de madeira, giz de cera e até mesmo no lugar da parafina na fabricação de velas decorativas. ''Velas à base de soja não formam fumaça preta, não são tóxicas e duram mais'', garante Mercedes Panizze.
Para o Brasil, a pesquisadora busca parceiros para introduzir o uso da soja na fabricação de tintas para a impressão de jornais e revistas. Segundo ela, a soja permite a elaboração de um produto mais viscoso e de excelente qualidade sem que haja modificações no processo de fabricação ou mesmo da impressão. Mercedes informa que: ''nos EUA, a soja está em 10% das tintas pretas e em até 30% das coloridas''.

mockup