Soja saudável até quando?
Cláudia Vieira Godoy, pesquisadora da Embrapa Soja, em Londrina, afirma que o controle de doenças por meio da aplicação de fungicidas tem dado certo até agora, principalmente para frear a incidência da ferrugem. Porém, alerta a especialista, não se sabe até quando. ''Um fungo que hoje é combatido com fungicida, por exemplo, pode, no futuro, obter uma resistência'', explica Cláudia.
Segundo ela, hoje a ferrugem da soja conta apenas com um grupo químico para combatê-la. Entretanto, avalia a pesquisadora, não se sabe até quando ele será eficaz. Em sua opinião, é necessário que instituições públicas e privadas de pesquisas invistam mais em novos métodos de controle. Ela completa que o material existente ainda é insuficiente para atender toda a demanda.''As empresas de sementes sempre apostam nos fungicidas para o controle de doença, mas esquecem do futuro'', analisa Cláudia.
Prevenção
Cláudia acrescenta que um bom manejo garante uma lavoura com altos índices de produtividade. O primeiro passo para se chegar a esse resultado, avalia a especialista, é realizar a rotação de cultura. ''Muitas vezes, o agricultor repete a cultura numa mesma área porque o preço está bom'', explica.
Porém, Cláudia completa que os produtores saem perdendo com essa atitude. O produtor Antonio Souza Gomes, da região de Maringá, é um dos que não fazem rotação em sua atual plantação de 400 hectares de soja. Por causa disso, o agricultor diz que sente um declínio em sua produtividade. Porém, assegura ele, sua lavoura está totalmente livre de doenças. ''Para conseguir esse feito, sempre faço correção de solo e o trato das sementes'', completa.
Cláudia alerta que muitos produtores não fazem rotação, mas sim sucessão entre as ciclos de verão e inverno. ''Toda safra eles repetem a mesma cultura, só alternam entre um ciclo e outro'', analisa. A especialista da Embrapa elucida que se o produtor se preocupar em fazer rotação todos os anos, parte de seus problemas estariam resolvidos.
Para manter uma boa sanidade, a pesquisadora da Embrapa alerta que o agricultor deve ficar atento a uma série de fatores no decorrer da safra. Segundo ela, um dos primeiros seria avaliar o histórico da área. Ou seja, saber quais as doenças já apareceram na área. Cláudia explica que há inúmeras formas de prevenção.
No caso dos nematóides, por exemplo, recomenda-se o total vazio sanitário. Para as doenças como ferrugem, mofo branco e podridão de carvão, que ocorrem com maior incidência no Paraná, o manejo adequado, é a melhor solução para prevenir o problema. (R.M.)





