Soja safrinha fomenta discussão entre pesquisa e campo
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sexta-feira, 02 de outubro de 2015
Reportagem Local 
O secretário da Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, e o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Afonso Kroetz, participaram nesta semana de audiência pública na Assembleia Legislativa, em Curitiba, tratando da necessidade de adotar medidas restritivas para o plantio de soja safrinha no Estado.
As medidas são recomendadas pela pesquisa para conter o avanço da ferrugem, cujo controle está seriamente ameaçado pela resistência dos fungos. Segundo Ortigara, o avanço da doença pode provocar, no curto prazo, danos econômicos e comprometer o futuro da soja plantada no Estado e no Brasil. A decisão sobre novas medidas será divulgada mediante portaria da Adapar, nos próximos dias.
A pesquisa, liderada pela Embrapa Soja, recomenda que o plantio de soja seja feito no período definido pelo zoneamento agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que vai de 21 de setembro a 31 de dezembro do mesmo ano. Após o período de colheita, que se estende até o mês de maio, a recomendação é que não haja mais nenhum tipo de planta viva de soja no solo, nem mesmo aquelas que nascem na beira das estradas.
A audiência pública foi realizada a pedido dos dirigentes da Cooperativa Mista São Cristóvão (Camisc), de Mariópolis, região Sudoeste do Estado. O presidente da cooperativa, Nelson De Bortoli, manifestou sua preocupação com a possibilidade de proibição da soja safrinha. Ele alegou que os municípios de Mariópolis e Clevelândia dependem do plantio dessa cultura, que é a alternativa mais viável economicamente para os produtores na região no período do inverno. Os agricultores, disse De Bortoli, já fizeram a compra dos insumos para a lavoura de 2016 e será um grande prejuízo não contar com essa atividade a partir do próximo ano.
Ortigara acenou com a possibilidade de se adotar um caminho de consenso entre as partes e proibir o plantio da soja safrinha a partir de janeiro de 2017. "A partir desse prazo, o vazio sanitário no Estado deverá ser estendido", afirmou.


