Soja resistente a nematóide
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançará dia 1º de abril, às 15 horas, em Iraí de Minas, MG, a primeira cultivar brasileira resistente ao nematóide-de-cisto da raça 3, que é a mais séria ameaça às lavouras de soja no País.
Denominada MG/BR-54 (Renascença), a nova cultivar é resultado do trabalho conjunto da Embrapa e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). Será recomendada para o Estado de Minas Gerais, onde em torno de 25% das lavouras foram infestadas na safra passada, causando prejuízo estimado em 3.900 sacas de soja. Pelo preço médio (R$ 15,50) de mercado, hoje, a perda financeira chegou a R$ 60 milhões 450 mil.
IneditismoA MG/BR-54 (Renascença) foi desenvolvida em apenas cinco anos - fato inédito no mundo, segundo a Embrapa -, em se tratando de um trabalho envolvendo o que os cientistas chamam de melhoramento genético de cultivares. Os Estados Unidos levaram doze anos para lançar a primeira cultivar resistente ao nematóide.
O lançamento da nova cultivar será em dia-de-campo sobre o nematóide-de-cisto da soja, na Fazenda Água Limpa, a 12 quilômetros de Iraí de Minas. Além de pesquisadores e produtores, estarão presentes o Ministro da Agricultura, Arlindo Porto e o Secretário da Agricultura de Minas Gerais, Alysson Paulinelli.
OcorrênciaO nematóide-de-cisto é uma doença causada por um verme microscópico que penetra nas raízes da soja e foi detectado pela primeira vez no Brasil durante a safra 1991/92. Atualmente está presente nos Estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.
Com base em levantamentos feitos pela Embrapa em diversas regiões do País, estima-se que a área infectada no Brasil é de 1 milhão 700 mil hectares.
O Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), sediado em Londrina, está desenvolvendo 600 linhagens promissoras, com resistência aos danos causados pelo nematóide-de-cisto. Os melhoristas informam que a produtividade esperada pelos novos materiais deve superar em pelo menos 5% as produtividades das variedades atualmente cultivadas.





