A agricultura brasileira está próxima de ter a primeira soja resistente à ferrugem asiática. Criada no programa de melhoramento genético de soja da Embrapa, a nova cultivar já está em fase de registro. Seu uso no campo deverá ser associado às atuais estratégias de manejo da doença, como o vazio sanitário, o monitoramento permanente da lavoura e o controle químico ao aparecimento dos primeiros sintomas ou confirmação dos primeiros focos na região. A diferença é que a nova soja poderá necessitar de um número menor de aplicações de fungicidas, além de conferir maior estabilidade de produção.
A primeira cultivar brasileira de soja resistente à ferrugem asiática foi desenvolvida para a Região Central do Brasil, por meio do Convênio Cerrados - uma parceria entre a Embrapa Soja, Embrapa Cerrados, Embrapa Transferência de Tecnologia, a Agênciarural-GO e o Centro Tecnológico para Pesquisas Agropecuárias (Ctpa). A pesquisa também contou com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do projeto Plataforma Tecnológica para o Manejo Integrado da Ferrugem Asiática da Soja, que engloba ações de melhoramento genético, biotecnologia, fitopatologia e transferência de tecnologia.
A nova cultivar é portadora de um gene maior recessivo, que confere resistência vertical. Esse mecanismo de ação gênica teve sucesso no desenvolvimento de cultivares resistentes a outras doenças da soja, como o cancro da haste e a mancha-olho-de-rã. O uso da cultivar resistente associado às técnicas de manejo da ferrugem devem minimizar os riscos de quebra de resistência da doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, que apresenta grande variabilidade genética.
A variedade vem sendo avaliada há cinco safras, em relação à produtividade, estabilidade, ciclo, altura de planta e tolerância/resistência a outras diversas doenças. A expectativa é que a nova soja esteja disponível para multiplicação de sementes básicas na safra 2008/09 e pronta para comercialização junto aos produtores de grãos na safra 2010/11. Nesse período, a Embrapa e seus parceiros estarão trabalhando também na definição de estratégias e procedimentos necessários para disponibilizar a tecnologia.
As pesquisas da Embrapa em busca de cultivares resistentes à ferrugem, segundo a instituição, começaram em 2001, quando ocorreram os primeiros focos da doença. A ferrugem já causou prejuízos de mais de US$ 7,2 bilhões ao País, desde que foi identificada pela primeira vez na safra 2001/02. A Embrapa também está desenvolvendo cultivares resistentes adaptadas para outras regiões produtoras.

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