Soja recua e surpreende
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Reportagem Local 
A fase de preços baixos no mercado da soja ainda terá algumas semanas. Nos últimos dias a Bolsa de Chicago alternou altas e baixas nos contratos futuros, que acabam sendo o principal parâmetro também para o mercado físico, no mundo inteiro. No Paraná, quem deixou de vender antes de maio perdeu a melhor oportunidade para alcançar preços altos. O professor Ismael Mologni, de Londrina, estava certo, ao sugerir a venda nos melhores picos. Em maio, o preço caiu muito e agora estabilizou em patamares de R$ 44,00/saca. O preço máximo em Ponta Grossa - sempre a praça que tem o melhor preço - não passou de R$ 44,50 na última quarta-feira, véspera de feriado.
Segundo o Departamento Econômico da FAEP, com base na Bolsa de Chicago, o mês de maio registrou desvalorização de 21% nos preços da soja em grão, voltando aos patamares de fevereiro. A desvalorização acumulada em maio somou 220 pontos, ou US$ 4,85/saca.
Análises diárias da FNP confirmam o recuo dos preços. Outra característica do mercado, segundo operadores da BM&F, é a rápida gangorra, movida pelas previsões do tempo. As boas condições do clima, no final da semana passada, para plantio da safra norte-americana, derrubaram os preços na Bolsa. Mas, na quarta-feira, a queda de temperatura - que poderia retardar ou comprometer a germinação -, foi suficiente para elevar os preços dos contratos de entrega em julho.
No mercado interno as negociações permaneceram praticamente travadas em função da falta de interesse pela fixação por parte dos produtores nos níveis de preços recebidos, apenas com alguns poucos negócios realizados de pequenos lotes.
A médio prazo, a economista Gilda Bozza Borges, do Departamento Econômico da FAEP, aponta, entre outros, os seguintes fatores básicos que derrubaram os preços da soja:
n Situação favorável ao plantio de soja nos Estados Unidos,
n Boatos da redução da demanda chinesa para o segundo semestre,
n Estratégia dos fundos de investimentos (em 1º de abril as posições compradas totalizavam 90 mil contratos, em 1º de junho, somam 42 mil contratos).
De acordo com França Júnior, analista de Safras & Mercados, as previsões para 2004 e 2005 se deparam com este cenário: 1) Aumento das tensões no Oriente Médio e sem perspectiva de soluções visíveis para os conflitos, 2) Alta recorde nos preços do petróleo por causa da preocupação com o abastecimento pela crise política na maior região produtora. E, em parte pelo aumento do consumo provocado pelo aumento da atividade econômica, 3) Expectativa de aumento na taxa básica de juros nos EUA e seus desdobramentos sobre as economias dos países em desenvolvimento, 4) Alta produção na América do Sul para 2003/04, entre 89/90 milhões de toneladas, 5) Aumento da área cultivada nos EUA em 2004 entre 2,5 e 3,0%. Se confirmada, traria a safra finalmente para a casa dos 80/81 milhões de toneladas, 6) Efeito apenas moderado e transitório da gripe aviária sobre o consumo de farelo de soja, 7) Confirmação de cenários otimistas para a economia mundial e asiática.
A partir desse quadro global, Gilda Borges acredita em cotações na Bolsa de Chicago, para a média do semestre, entre US$ 20,06/saca e US$ 20,50/saca). Para o segundo semestre, previsão de média entre US$ 15,43/saca e US$ 16,75/saca). O valor médio de 10 anos corresponde a US$ 13,23/saca.
l Na quinta-feira, o Usda reduziu sua estimativa para a safra 2003/04 de 53,5 milhões para 52,6 milhões de toneladas. E previu que o Brasil vai colher um volume recorde de 66 milhões de t na safra 2004/05.


