O ciclo de alta dos preços de terras no Brasil chegou ao fim. A avaliação é de analistas do agronegócio. Eles acreditam que a perda da rentabilidade da produção de grãos projetada para 2005 deve interromper a corrida por terras nas regiões produtoras do Cerrado.
Pesquisa da FNP Agroinformativos mostra que o preço das terras no Brasil subiu 113% de novembro/dezembro de 2001 a julho/agosto de 2004. O levantamento, que avalia o comportamento de 133 regiões produtoras do Brasil, mostra que as terras do Centro-Oeste, com valorização de 164%, lideraram a alta. ''A alta dessa região foi provocada pela forte lucratividade da soja'', diz o diretor técnico da FNP, José Vicente Ferraz.
O mesmo levantamento da FNP, entretanto, mostra que essa alta já perdia o fôlego no período de julho/agosto de 2003 a julho/agosto de 2004. ''Se observarmos esse período, notamos que a valorização de terras do Centro-Oeste ficou em 31%, enquanto a alta foi de 58% no Sul e de 37% no Norte'', diz.
Algumas regiões voltadas para a produção de soja já figuram entre aquelas de maior desvalorização naquele período. Aripuanã, município que produz soja no meio-norte do Mato Grosso, registrou uma queda de 46% na cotação do hectare. As ''terras de mata com fácil acesso'', geralmente compradas por agricultores para desmatamento e plantio de grãos, recuaram de R$ 300 por hectare para R$ 162 por hectare no período. ''Foi a terceira maior queda do período'', diz Ferraz. ''Aripuanã só perdeu para regiões do Nordeste em que houve projetos de irrigação que fracassaram.''
Segundo Ferraz, o preço das terras de soja deve começar a cair também em sacas do produto por hectare em 2005. ''A se confirmar um cenário de baixa rentabilidade na colheita, alguns produtores poderão pôr à venda parte de suas terras'', diz. Ele destaca, entretanto, que essa tendência de queda só deve ocorrer em terras voltadas para a produção de grãos e algodão, commodities que estão em ciclo de baixa. ''Regiões voltadas para a cana-de-açúcar, pecuária e reflorestamento têm cenário positivo.''
A professora Inês Lopes, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), não acredita que o preço das terras caia nos pólos produtores de grãos. ''O preço dos arrendamentos pode até cair, mas acho que o mercado de terras deve resistir.'' Segundo Inês, a perda de rentabilidade da soja é conjuntural. ''Olhando para o longo prazo, porém, os agricultores sabem que o cenário é positivo'', diz.
Ela lembra que a soja é utilizada para alimentar animais. ''Enquanto o consumo de carne continuar crescendo no mundo, o mercado para a soja continuará se expandindo.'' Por causa disso, a professora não acredita que o produtor queira liquidar seus ativos. ''Um aumento de oferta de terras só ocorre mesmo quando o cenário de longo prazo é negativo. É mais provável que os preços das terras fiquem estáveis agora.'' (Agência Estado)

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