Curitiba - O preço da soja está reagindo novamente (na quarta-feira a Bolsa de Chicago fechou com maior cotação dos últimos cinco anos) e muitos produtores já estão revendo suas intenções de plantio. O anúncio da quebra de safra nos Estados Unidos está disparando as cotações futuras e os preços podem ficar mais atraentes que no ano passado. A previsão é que a cotação da soja na Bolsa de Chicago atinja US$ 14 a saca em maio de 2004, disse Flávio Turra, assessor econômico da Ocepar.
Essa previsão está animando os produtores brasileiros porque nos últimos anos os preços internacionais não atingiram níveis tão bons. ''Isso faz com que os produtores que ainda não compraram insumos para plantar o milho acabem revendo a decisão'', destacou.
Em função dessas previsões otimistas, o preço ao produtor na região de Maringá já está cotado entre R$ 37,00 a R$ 38,00 a saca. Segundo a Ocepar, ainda falta 30% da safra paranaense de soja para ser vendida.
O levantamento feito pelo Deral traduz essas alterações do mercado. A intenção de plantio da safra 2003/2004 foi reavaliada para 3,860 milhões de ha, 7% sobre o plantio do ano passado. No levantamento do mês anterior, a previsão apontava para um aumento de 5,5%.
Com isso, a expectativa de produção também é maior. A estimativa aponta para uma produção de 11,6 milhões de t de soja no Paraná, um aumento de 6% sobre o resultado da safra anterior, que foi de 10,94 milhões de t. O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral, disse que está aumentando bastante o plantio em áreas tradicionais de plantio de milho, nas regiões Sudoeste e Sul do Estado.
O preço do produto no mercado externo é o principal fator de mudança na intenção de plantio. Segundo o técnico, aumentou a demanda por óleo de soja no mundo e tanto o grão quanto o óleo continuam com liquidez.
Portanto, por mais que se plante soja no Brasil, dificilmente a cotação vai cair. Pelo contrário, este ano ela já aumentou 20% em relação ao ano passado que já foi boa, disse Hubner. Este ano, a cotação internacional da soja já é de US$ 240/t. No ano passado, nesta época, era de US$ 203/t.
As previsões otimistas para a comercialização, porém, não estão convencendo o produtor paranaense a antecipar as vendas de soja, disse Turra. Tradicionalmente os produtores vendem entre 20% a 25% da safra de forma antecipada. Este ano, Turra acredita que essa marca não será alcançada diante da frustração que os agricultores tiveram no ano passado com a venda antecipada.
Segundo Turra, os produtores perderam dinheiro no ano passado porque fecharam contratos por aproximadamente R$ 28,00 a saca e na época da colheita, a soja era cotada entre R$ 35,00 e R$ 36,00 a saca. ''Eles foram obrigados a cumprir o contrato e entregaram a soja pelo valor bem abaixo ao que vigorava na época'', disse o técnico. Turra explicou que esse tipo de operação marca muito o agricultor, por isso ele acredita que dificilmente ele vai repetir a venda antecipada porque está capitalizado para fazer o plantio.

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