Soja proibida em lavouras do PR
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sábado, 09 de fevereiro de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Há suspeitas de que grãos clandestinos de soja transgênica já estejam sendo plantados no Paraná. De acordo com Alvir Jacob, chefe do setor de fiscalização, comércio e uso de agrotóxicos da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), que também responde pela questão dos transgênicos, o órgão tem recebido várias denúncias sobre a comercialização e plantio desses produtos. Como os denunciantes não identificam a fonte, fica difícil provar, afirmou.
Embalagens falsasO técnico acredita que a soja transgênica para cultivo pode estar sendo comercializada na forma de grãos em embalagens falsas de marcas legalmente reconhecidas como não transgênicas. Os produtores podem utilizar esses grãos para plantio, comentou, lembrando que dois anos atrás, a Seab apreendeu 220 sacas de soja transgênica para cultivo no sudoeste do Paraná. O produto veio do Rio Grande do Sul, informou.
A apreensão só foi possível graças a uma denúncia. Por isso é importante que as pessoas entrem em contato com a secretaria quando sabem da comercialização desse tipo de produto. Segundo Jacob, a maior arma contra a disseminação dos transgênicos no Estado é a consciência dos produtores. Ele acredita que o plantio clandestino de organismos geneticamente modificados acabará com a vantagem que o Brasil tem de oferecer ao mercado produtos não transgênicos. O maior prejudicado será o próprio agricultor, que enfrentará dificuldades quando o produto paranaense for recusado, opinou.
Fiscalização difícil
Conforme Alvir Jacob, a Associação Brasileira de Produtores de Sementes divulgou que há dois milhões de hectares plantados com soja transgênica no Brasil. Só não sabemos onde, questionou.
Ele explicou que a Seab fiscaliza apenas a produção de sementes. Não temos como fiscalizar o plantio nas 470 mil propriedades do Estado, comentou. A legislação brasileira só permite cultivar soja transgênica para pesquisa e experimentação. Por isso, o teste em lavouras não é oficial. Fora dos campos de pesquisa, o teste só é utilizado quando há denúncias. A rastreabilidade está na consciência de cada produtor, disse.


