Soja, prevenção e cura de doenças
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor de soja do mundo, com 30 milhões de toneladas por ano, apenas 18% desse total ficam no País; o resto é exportado. Do que fica, grande parte vai para a produção de óleo e de ração animal. Só 1% da colheita nacional é direcionado para suprir o mercado interno, sendo que percentual significativo segue para a indústria de embutidos de carnes.
A população ocidental do Planeta acordou para a soja há quinze anos. Até então, apenas os orientais conheciam os benefícios à saúde que o consumo dessa oleoginosa proporciona. Mas hoje já está comprovado que os compostos contidos na soja melhoram a saúde, promovem qualidade de vida e reduzem e previnem a incidência de algumas doenças degenerativas.
PesquisaNa última safra, a Embrapa Soja, em cooperação técnica e financeira com a Gama Comercial Importadora e Exportadora, está testando linhagens de soja produzidos num sistema de cultivo orgânico e destinadas justamente ao consumo humano.
Essa parceria, segundo o chefe da Embrapa Soja, Caio Vidor, é uma forma de consolidar a proposta da Embrapa Soja de incentivo à produção de soja como alimento humano.
A tecnologia desenvolvida já oferece aos produtores interessados a variedade BRS 36, que é resistente a doenças, apresenta alto potencial de rendimento, fornece semente graúda (21,4 gramas por 100 sementes) e tem hilo claro. A partir da próxima safra, os produtores poderão utilizar também a BRS 155 em cultivos orgânicos. Segundo a pesquisadora Merces Carrão Panizzi, a BRS 155 reduziu em 70% o inibidor de tripsina (fator antinutricional que inibe a digestão de proteínas). Com isso é possível melhorar a qualidade da proteína da soja e diminuir o custo de produção do grão, por causa da redução do tempo com tratamento térmico, necessário para baixar o teor de tripsina.
Segundo Mercedes, a BRS 155 já foi testada por uma indústria de alimentos japonesa, para produção de natto, alimento fermentado, muito utilizado no Japão. A variedade foi considerada adequada pelo sabor e textura que ela dá ao produto, explica.
BenefíciosSegundo pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, as proteínas da soja diminuem o colesterol, reduzindo a incidência de doenças cardiocoronárias. A isoflavona, componente ativo da soja, substitui o estrógeno, hormônio feminino que deixa de ser produzido na menopausa. Consumindo o grão nas quantidades indicadas, a mulher deixa de perder cálcio e tem reduzidos os sintomas do climatério: onda de calor e insônia. A ação antioxidante do vegetal também protege o organismo contra danos celulares ligados a várias formas de câncer.
O consumo diário de 25 gramas de soja, ou um de seus derivados, corresponde às quantidades mínimas necessárias para se obter os efeitos de seus benefícios.
Yoon Kil Chang, engenheiro de alimentos responsável pela padaria da Universidade, está pesquisando o pão de soja e explica que a opção pelo pão se deve ao fato desse ser um alimento básico, que todos comem, independente do nível econômico, social e cultural. O preço do pão com soja fica 20% mais alto do que o pães tradicionais, devido ao preço elevado da farinha de soja, em torno de R$12 o quilo, enquanto um quilo de farinha de trigo não chega a R$1,00. A soja pode ser consumida na forma de vários produtos: no pão, leite, queijo e iogurte, entre outros.


