Soja para consumo humano
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de janeiro de 2002
Carolina Avansini 
O processamento da soja para alimentação humana se tornou um negócio com boas perspectivas para a funcionária pública Solange Tosca Galli, que há dois anos produz e comercializa soja descascada e diversos subprodutos do grão em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação de Cornélio Procópio. Filha de um sojicultor, ela despertou para a atividade em 1999, quando visitou um estande da Embrapa na feira agroindustrial do município que divulgava as diversas possibilidades de utilização do produto na alimentação humana.
Como meu pai é produtor, separei uma parte da colheita seguinte para tentar o processamento, contou. O primeiro produto desenvolvido foi a sojita - soja frita que pode ser utilizada como aperitivo. Solange promoveu a degustação em alguns pontos da cidade e, percebendo que a aceitação foi boa, passou a investir no negócio.
Produção
Ela processa 200 sacas de 60 quilos de soja ao ano, que rendem dois mil pacotes de 20 gramas de sojita por mês. Também produz biscoitos, bolos, quibe e pão à base de soja, além de comercializar o grão in natura, a farinha e extrato (utilizado para produzir o leite de soja). A farinha e a sojita são os produtos mais vendidos, essa última inclusive é consumida por mulheres após a menopausa que necessitam fazer reposição hormonal.
A matéria-prima utilizada é plantada pela própria Solange, que arrenda dois alqueires do sítio de 16 alqueires de seu pai. Visando atender as exigências do consumidor de produtos naturais, ela não utiliza agrotóxicos em sua lavoura. Meu objetivo é produzir soja orgânica, observou.
A produtora investiu R$ 10 mil para instalar a pequena indústria que funciona com estrutura familiar. A última aquisição foi uma descascadeira de soja com capacidade para descascar 50 quilos por hora, que custou R$ 1,5 mil. Até então, ela utilizava o equipamento da merenda escolar de Cornélio Procópio, doando duas sacas de soja pelo empréstimo. Muita coisa eu consegui no improviso, disse.
Além de recursos próprios, conseguiu R$ 6 mil da Agência de Fomento do Governo do Estado, viabilizados graças a um projeto elaborado pela Emater. Os juros são de 1% ao mês e Solange garante que tem conseguido pagar as prestações. A tecnologia utilizada na empresa foi repassada pela Embrapa Soja de Londrina.
Processamento
Para preparar a soja para o consumo humano, o primeiro passo é descascar os grãos. Em seguida hidrata-se com água fervendo por cinco minutos, para depois submeter os grãos à água fria. O choque térmico tira o sabor característico da soja, que muitas vezes é desagradável ao paladar humano, explicou Solange. Por fim, a soja deve ser fervida por mais 20 minutos. A partir daí, pode ser utilizada para fazer inúmeros pratos, contou.
Em receitas que utilizam farinha, a produtora garante que 20% da farinha de trigo pode ser substituída pela similar de soja. As vantagens da troca são justificadas pelos benefícios que o alimento traz à saúde: além de ser rico em fibras, possui isoflavona, que é usada para reposição hormonal em mulheres após a menopausa. O consumo constante de alimentos à base do grão também ajuda a baixar o colesterol, controlar o diabetes e previnir alguns tipos de câncer.


