Nesta edição da Folha Rural o agricultor que ainda não decidiu o que plantar, na safra de verão, encontra análises e sugestões a respeito das principais lavouras envolvidas no impasse: a soja e o milho. Já nesta página José Donizeti Pitoli, economista e atacadista de cereais em Santa Mariana, Norte do Paraná, aponta o que considera tendências de um e outro produto. Mais adiante, Eugênio Stefanelo, ex-Secretário da Agricultura do Paraná e atual superintendente da Conab no Estado, prevê reação dos preços do milho e ligeira queda ou estabilização da soja que, mesmo assim, continuará dando um retorno positivo.
Stefanelo, além das observações a respeito de produção e mercado, lembra que os produtores de soja costumam utilizar ‘‘excepcional tecnologia’’, o que deverá garantir boa produtividade. Este fato, mais o aumento da área plantada, refletirá nos preços e não os deixará subir. O contrário deve acontecer em relação ao milho: menor área plantada, menos produção = preços melhores do que os obtidos nesta safra de inverno.
Na página 3 o pesquisador Antonio Eduardo Pípolo, da Embrapa-Soja, fala das novas variedades e, nas páginas 6 e 7, o pesquisador Antonio Carlos Gerage, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), refere-se ao milho, mas dá um conselho que serve para qualquer lavrador, seja qual for o produto: ‘‘Todo produtor deve ter um planejamento para uso do solo a médio e longo prazo’’. Gerage acredita que, na próxima safra, o milho dará um resultado melhor do que neste ano.
José Donizeti Pitoli opina sobre a soja: ‘‘A partir de setembro os Estados snidos começarão a colher a maior safra de soja da história americana. Serão, pelas estimativas, colhidos aproximadamente 75 milhões de toneladas, que estariam à disposição de todo mundo até fevereiro, quando o Brasil, a Argentina e o Paraguai estarão colhendo 50 milhões de toneladas. Somando a produção dos demais países, a oferta mundial será da ordem de 140 milhões de toneladas, para um consumo de 130 milhões/t.
Assim, desde que observadas as condições normais de clima, política econômica e tributária atuais, os produtores do Paraná podem esperar preços próximos de US$11,60 a saca ou RS$13,60 a saca.
Considerando que a produtividade média no Estado é de 100 sacas/alqueire, a receita bruta prevista será de R$1.360,00 por alqueire, a um custo de aproximadamente R$900,00.’’
A respeito do milho, Pitoli diz: ‘‘Os números iniciais apresentam uma redução na estimativa de plantio da ordem de 15%. Assim, considerando os estoques iniciais e também os índices de produtividade, a oferta projetada pelo mercado interno será de 33 milhões de toneladas, para um consumo de 32 milhões de toneladas.
Desde que observadas as condições normais de clima, política econômica e tributária atuais, os produtores paranaenses podem prever preços um pouco acima da média histórica - US$6,14 a saca -, ou seja, R$7,20 a saca. Considerando que a produtividade média no Estado é de 200 sacas por alqueire; custo de aproximadamente R$950,00/alqueire e lucro de R$490,00/alqueire.’’
Finalmente, Pitoli sugere: ‘‘Como podemos observar na apresentação dos cenários para a soja e o milho, a estimativa de resultado das duas culturas são muito semelhantes, daí termos que ponderar e optar pelo bom senso; analisar os aspectos de liquidez, investimentos, aproveitamento das máquinas e equipamentos, projetos futuros de melhorias, principalmente na qualidade do solo.
De tudo isto, conclui-se que os produtores devem manter a maior parte das terras com soja e no máximo 30% com milho. Isto garante um bom programa de rotação de culturas, combinando a liquidez que o mercado de soja oferece, até que ocorra uma possível melhoria nos preços do milho.’’

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