Soja: nova opção para o arenito
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Cláudia Barberato 
A baixa produtividade das pastagens, o receio de ter sua terra enquadrada como improdutiva e os atraentes preços de mercado da leguminosa, estão transformando a soja numa opção de cultivo para os produtores na região do arenito, no Noroeste do Paraná.
De acordo com os pesquisadores este interesse pela soja deverá prevalecer para a produção de grãos nas regiões de solo arenoso misto e naquelas regiões mais arenosas somente como forma de recuperar pastagens.
Os técnicos alertam que até o ano passado os preços da soja estavam altamente favoráveis, mas há preocupação que voltem para os níveis normais, desestimulando esta corrida para seu plantio. Há receio que este interesse pela leguminosa ocorra de maneira desorganizada e o solo da região seja mau utilizado.
Grande procuraA demanda pelo cultivo da soja naquela região tem sido tão grande que técnicos e pesquisadores de instituições como a Embrapa Soja, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), além da Secretaria de Estado da Agricultura, Emater e cooperativas já fizeram várias reuniões para discutir o assunto.
Até agora foi escrito apenas um documento que transfere informações aos produtores do que acontece com o cultivo da soja em regiões semelhantes ao arenito. Não há ainda experimentos científicos.
Soja no arenito é assunto novo, afirma o pesquisador da Embrapa, Dionísio Gazziero. Pouca gente planta soja no arenito, a não ser naquelas áreas de solo com textura média, onde existem manchas de argila. Mas, agora, a tendência parece ser a de entrar com o cultivo nas áreas de puro arenito.
Nas reuniões com técnicos e produtores, os pesquisadores têm discutido sobre clima, aptidão agrícola, sistematização de máquinas, adubações, cultivares, épocas de semeadura, indicação de plantas para cobertura, sistemas de rotação e controle de ervas daninhas. A intenção, reafirma o pesquisador da Embrapa, Antonio Garcia, é fazer um processo de recuperação de pastagem e não tornar a região produtora de soja.
Bem planejadoA pesquisa está recomendando o cultivo da soja naquela região apenas para a recuperação das pastagens. A vocação do Noroeste é pecuária e não há estrutura suficiente para transformar a região em produtora comercial de grãos. Em alguns casos, para o cultivo da soja, será necessário um contrato de arrendamento da terra para outros produtores, estruturados para o cultivo de grãos.
Os técnicos temem que estes contratos sejam muito prolongados e acabem transformando o objetivo inicial (recuperar pastos) em função do mercado. Há uma grande motivação de arrendar a terra para quem faz grãos, receber alguma remuneração por estes grãos, e ao final do arrendamento receber de novo a terra, recuperada.
Em Umuarama foi instalada uma bolsa de arrendamento como forma de atrair produtores de grãos que seriam parceiros na recuperação de pastagens. A iniciativa foi da secretaria de agricultura do município como forma de dinamizar também a economia da cidade e melhorar os índices da pecuária regional. Em Paranavaí, reuniões técnicas, estão esclarecendo os produtores interessados.
Bom adubo Tecnicamente, a soja é conveniente na rotação com pastagem. De acordo com Garcia, pensando em recuperar áreas de pasto, o plantio da soja entraria como adubo verde de verão e com produção econômica de grãos. A cultura vai deixar palhada rica em nitrogênio para a pastagem que será implantada novamente, além do solo corrigido (com calagem) e residual de fósforo e potássio. Com este enfoque todas as áreas são viáveis.
Mas se pensar em produção de grãos como atividade principal no arenito, avisa Garcia, deve-se optar por áreas com maior teor de argila, acima de 30%, e com menor probabilidade de seca. Ou se produz 70 a 90 sacas por alqueire ou a soja é inviável. Já existem casos no arenito misto de produção de 100/130 sacas por alqueire. A margem de lucro, de modo geral, é pequena. É menor ainda quando os preços forem achatados.
Os preços históricos situam a soja no valor em torno de R$ 10 a R$ 11 a saca. Hoje a saca vale R$ 15, mas é um valor de certa maneira distorcido, em função dos baixos estoques mundiais que já estão sendo recuperados.
Risco de produçãoO trabalho de recuperação pode ser iniciado no final das chuvas de verão, entre março e abril, onde existe umidade para preparar o solo, fazer calagem e chegar na próxima safra de soja com a terra recuperada. Pode-se plantar uma aveia no inverno para ter massa e ajudar no plantio da soja mais tarde. Para quem está implantando a soja neste ano, o plantio será feito em situação não muito ideal. Mesmo assim é indicado usar áreas mais planas, com manchas de solo misto arenoso.
No Paraná, fora as regiões tradicionais no cultivo da soja, as áreas de transição do solo do tipo basalto para o arenito, de Bela Vista do Paraíso até a faixa de Querência do Norte, também cultivam a leguminosa. A medida que vai se chegando mais para o Noroeste, Paranavaí e Paranapanema, por exemplo, o teor de areia vai aumentando e, segundo o zoneamento agrícola do Estado, os riscos no cultivo são maiores.


