Colheita da soja no arenito, onde ela entra em áreas de reforma de pastagensPrincipal reduto da pecuária no Paraná, a região de Umuarama prepara-se para plantar este ano cerca de 20 mil hectares de soja, com expectativa de colher 800 mil sacas e faturar R$10 milhões. Incentivados por um programa de arrendamento de terras lançado em janeiro pela Prefeitura de Umuarama, sojicultores do Sudoeste do Paraná aceitaram o desafio de cultivar a oleaginosa no arenito, o solo predominante do Noroeste.
Não existem pesquisas oficiais sobre o comportamento da soja no arenito e as experiências se limitam a uma ou outra lavoura, cuja produtividade alcançou os mesmos índices dos solos de terra roxa. Isto animou os agricultores.
Mutirão tecnológicoSojicultores em Bragantina, no Oeste, os irmãos Amaro Guimarães arrendaram 60 alqueires em Umuarama para plantar soja. Em Bragantina, a 100 quilômetros de distância, a família produz o grão em 40 alqueires. Segundo Celso Amaro Guimarães, os irmãos resolveram plantar no arenito devido à quantidade de terra disponível para arrendamento. A gente queria produzir mais, mas na nossa região não há terras para arrendar.’’
A maioria dos arrendatários do Program de Arrendamento de Terra (Pater) tem o mesmo perfil. São grandes produtores, donos de máquinas e equipamentos que passavam parte do tempo ociosos e que agora serão aproveitados nas lavouras do arenito. Há também alguns pecuaristas que preferiram comprar maquinário e plantar a arrendar as terras. Todos preparam a terra para plantar milheto, forrageira que dentro de aproximadamente 40 dias será dessecada com herbicida para o plantio direto da soja. O plantio começará no final de outubro.
O súbito interesse do Noroeste pela soja obrigou o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a Embrapa e a Emater a fazer um ‘‘mutirão’’ para oferecer informações e propostas aos sojicultores do arenito. Cerca de 40 técnicos das mais diferentes áreas foram convocados para esse estudo. O resultado foi apresentado esta semana em Umuarama, durante o seminário técnico ‘‘Soja no arenito: propostas tecnológicas básicas para um agricultora sustentável’’, realizado na Sociedade Rural. Segundo os técnicos, as recomendações contidas no documento são apenas indicativas, com o intuito de apoiar e orientar quem vai prestar assistência técnica agrônomica aos produtores.
Soja & pastagensO Iapar condena a soja como cultura permanente no arenito, devido à facilidade de erosão, mas concorda que pode ser adotada em sistemas de rotação de cultura, para reforma de pastagens. Dentre as culturas anuais, a soja oferece maior rentabilidade, ao contrário do milho e do algodão, outras duas culturas viáveis para a região, mas que sofrem constantes altos e baixos no mercado. O presidente do Iapar, Florindo Dalberto, alerta, no entanto, que o plantio de soja exige cuidados redobrados: ‘‘O produtor tem que observar as normas corretas de conservação de solo, sob pena de agravar os problemas de erosão e de perda de fertilidade.’’
O Secretário Municipal da Agricultura de Umuarama, engenheiro agrônomo Edson Assis Bastos, garante que os arrendatários estão seguindo as práticas de conservação do solo. ‘‘A maioria já tem teconologia e experiência no cultivo de soja’’, acrescenta. De acordo com Bastos, as técnicas adotadas são basicamente as mesmas indicadas pelo Iapar e a Embrapa/Soja no documento lançado durante o seminário em Umuarama. O objetivo também não foge do indicado.‘‘Não temos intenção de trocar o boi pela soja e sim integrar as duas atividades de forma a melhorar a rentabilidade da agricultura, recuperar a fertilidade do solo e a produtividade da pecuária’’, diz bastos.

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