Soja na reforma de pastagens
No Noroeste do Paraná, onde existem mais de 3,5 milhões de hectares de pasto, boa parte degradados, a soja vem ganhando espaço. A idéia é simples, revela o presidente da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá, (Cocamar), Luiz Lourenço: A soja no arenito vai recuperar o solo e também garantir uma renda ao produtor. Mas é preciso profissionalismo para alcançar resultados.
Para garantir o retorno não apenas da qualidade da pastagem, os pecuaristas estão sendo incentivados a arrendar parte das propriedades para os plantadores profissionais de soja. Não é apenas colocar a cultura e depois da colheita entrar com a grama. Tem que ter tecnologia, e muita, alerta Lourenço. Caso contrário, segundo o dirigente da Cocamar, o solo de areia não resiste e o proprietário terá erosão ao invés de pastagem recuperada. O uso da cultura na reforma de pastagem é a única saída para as condições de solo do Noroeste, acha o agrônomo José Eduardo Missawa, da Monsanto.
Marcos NegriniConvivênciaA soja divide espaço com a pastagem em vários municípios do NoroestePotencialEle tem acompanhado a introdução da soja no arenito na região Noroeste do Estado, e acha que o potencial para a cultura é grande. Os produtores estão abrindo novas fronteiras agrícolas a milhares de quilômetros daqui, enquanto existe terra com potencial para lavouras na própria região, defende. Missawa diz que, além de abrir uma nova fronteira agrícola, a idéia é tornar as propriedades sustentáveis pela lavoura. Os resultados mostram que isso é possível, afirma.
Nos quatro anos em que a soja vem sendo cultivada na região de arenito, a produtividade chega a surpreender. Nas áreas onde o produtor usa tecnologia a aposta no retorno, a média tem ficado em 100 sacas por alqueire. Algumas propriedades melhor trabalhadas chegam a 120 sacas por alqueire, a mesma produtividade alcançada em áreas de solo roxo, com lavouras tradicionais de soja. Apenas na região de abrangência da Cocamar, onde foram cultivados 6 mil hectares de soja, a expectativa é de uma renda em torno de US$2 milhões.
A colheita normal começa em meados de março. Agora as lavouras estão em fase de floração e formação de grãos, o que indica uma ótima produção diante das condições de tempo esperadas até o final do ciclo da cultura. Em todo o Noroeste, pelos cálculos de Missawa, a soja está em mais de 60 mil hectares. A tendência para os próximos anos é de uma área ainda maior, por causa da disposição dos produtores em arrendar pastagens e pelo preço do produto, revela ele.
Pasto no invernoO resultado final, o que interessa ao criador de gado, não fica apenas no retorno da soja. O proprietário da área quer pastagem e vai ter, resume Missawa. Hoje a ocupação média dos pastos na região de arenito é de duas cabeças de bovinos por alqueire. Com a reforma feita dentro do projeto de soja no arenito, o pasto vai suportar até 10 animais por alqueire, garante ele. Isso porque o criador terá pasto inclusive no inverno, o que hoje é impossível.
Produtores que já cultivam a soja no arenito e pecuaristas que querem reformar a pastagem aprovam a cultura. Segundo o agrônomo João Carlos de Souza, da Cocamar em Paranavaí, muitos criadores que conhecem as lavouras da região acabam se inscrevendo para participar do programa de arrendamento. A área fica nas mãos do produtor de soja em média por cinco anos, e volta com o pasto refeito. Sem o proprietário desembolsar nada. Aliás até com lucro, lembra ele.Agrônomo José Eduardo, da Monsanto: Nova fronteira agrícola é aquiMarcos Zanatta





