A soja está sendo considerada pelos pesquisadores da área de alimentos como o ‘‘ingrediente do milênio’’, pela sua versatilidade e pelos benefícios para a saúde humana. ‘‘Além de ser um produto cada dia mais utilizado na elaboração de diversos alimentos chamados ‘funcionais’, a soja entra na composição de produtos ecologicamente corretos, como tintas, biodiesel, plásticos, entre outros, todos biodegradáveis’’, destaca a pesquisadora Mercedes Carrão- Panizzi, coordenadora do 1º Simpósio Brasileiro sobre os Benefícios da Soja para a Saúde Humana, que começou ontem e prossegue hoje em Londrina, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, promovido pela Embrapa Soja.
Pesquisas realizadas nos últimos 10 anos têm destacado os benefícios da soja na prevenção de doenças crônico-degenerativas. Para falar destes temas, o simpósio trouxe a Londrina especialistas do Brasil, Estados Unidos e Japão.
Mais saúdeSegundo os pesquisadores, entre os vegetais consumidos na dieta humana, a soja é a que possui maior teor de proteínas de boa qualidade. Além da melhoria nutricional, proporciona controle nos níveis de colesterol, previne vários tipos de câncer e ameniza os sintomas da menopausa.
Esses efeitos benéficos são, em grande parte, decorrentes da ação das isoflavonas, substâncias biologicamente ativas na prevenção de doenças crônicas. Para falar das isoflavonas no simpósio, foi convidado o professor Chigen Tsukamoto, da Faculdade de Agricultura de Morioka, no Japão.
Chigen informou que o teor de isoflavonas depende da variedade da soja e do processamento utilizado na produção dos alimentos, e é a caracetrísticas mais procurada entre os consumidores japoneses. Por exemplo, cada quilo de farinha de soja tem 100 mg de isoflavonas e a mesma quantidade de tofu tem 40 mg. ‘‘No Japão, por lei, todos os produtos têm em seus rótulos informações sobre a quantidade de isoflavonas’’, destacou.
Dependendo do tipo de processamento do grão, perdem-se ou reduzem-se as quantidades desta substância. Por isso, no Japão, se investe muito na pesquisa de novos produtos.
O outro fator que influencia é a variedade, mas, neste caso pouco os japoneses podem fazer, porque sua produção própria é mínima. A produção de soja no Japão é de 200 mil toneladas, para um consumo de 5 milhões de toneladas (1 milhão para o consumo in natura e 4 milhões vão para óleo e ração).
No Brasil esta relação é inversa. Somos o segundo maior produtor de soja do mundo e menos de 1% deste total vai para o consumo direto da população.
Hábito alimentarAs primeiras pesquisas no Brasil sobre a soja na alimentação humana começaram em 85. Até então, com exceção do óleo, só se falava em soja para alimentação animal. O sabor característico da soja não era agradável ao paladar do brasileiro, e muito trabalho foi realizado pelos pesquisadores no processamento da leguminosa. ‘‘Mudar um hábito alimentar não é fácil. Não temos dados oficiais sobre o crescimento do consumo da soja pelos brasileiros, mas observamos que nestes últimos 15 anos é crescente o interesse pela introdução da soja nas mais diversas dietas’’, comentou Mercedes Panizzi.
A questão hábito alimentar também foi comentada pelo professor Chigen Tsukamoto. Ele disse que no Japão, apesar da soja ser um alimento tradicional, as gerações mais jovens têm diminuído o consumo. Para evitar esta tendência, os japoneses têm pesquisado o desenvolvimento de processos diferenciados, também para atenuar o sabor original da soja. Chigen fez palestra ontem no simpósio, falando sobre as ‘‘Isoflavonas em produtos de soja: composição, concentração e efeitos fisiológicos’’.
Nova variedadeMercedes Panizzi informou que uma nova variedade de soja para consumo humano deve ser lançada pela Embrapa no próximo ano. ‘‘Estamos na reta final da pesquisa desta variedade sem a substância que dá o sabor forte da soja e que desagrada ao paladar dos brasileiros’’, adiantou Mercedes.
Hoje no simpósioNa programação do simpósio hoje estão agendadas palestras sobre o que são os alimentos funcionais; aplicações de tecnologias na biotransformação de isoflavonas; a experiência da padaria da Unicamp; e a soja na prevenção da menopausa e osteoporose. As palestras começam às 9 da manhã.

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