Soja e milho: posições inversas
O milho e a soja, os dois principais grãos da safra de verão, terão situações de comercialização totalmente inversas, segundo o superintendente da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugênio Stefanelo. A soja deverá manter preços acima da média histórica e o milho pode não alcançar nem os preços mínimos.
Na safra passada, com a redução da produção mundial, as cotações internacionais da soja dispararam, e o preço pago ao produtor brasileiro estimulou o aumento de plantio da área neste safra. Mas, a expectativa de aumento de produção no Brasil (em torno de 10,3%), não deve provocar mudanças nas tendências de preços bons, acredita Stefanelo. A previsão é que os preços na colheita fiquem em torno de R$ 13,00 a R$ 15,00, acima da média histórica normal de R$ 10,00 a R$ 12,00.
A nova safra de milho comecará a ser colhida ainda com produção excedente do ano passado. Segundo Eugênio Stefanelo, o estoque do Governo hoje é de 4 milhões de toneladas. No ano passado, produtores, cooperativas, Governo, indústrias, comerciantes, todos os segmentos ligados ao milho cometeram um erro de estimativa. Não se acreditou que o Governo tivesse realmente o estoque físico de quase 7 milhões de toneladas, e as indústrias importaram o produto, temendo altas de preços, explicou Stefanelo.
Desta forma o preço, que hoje já está abaixo do mínimo, poderá despencar, se algumas medidas não forem tomadas pelo Governo. Entre elas, Stefanelo cita a antecipação da primeira parcela da securitização das dívidas; estímulo às exportações; liberação de crédito para a indústria; e a elaboração, por parte do Governo, de um programa especial de compra da produção dos pequenos produtores.
Tanto para comercializar a soja quanto o milho, Stefanelo recomenda que o produtor faça vendas parceladas, para evitar aumento de oferta e redução de preços.





