Soja derruba preço da terra
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sábado, 13 de novembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Nos últimos seis meses o preço das terras no Paraná está despencando em função da queda da cotação da soja, seu principal indexador. Imobiliaristas da região Norte falam em queda de 30% nas áreas mecanizadas, ideais para o plantio do grão. No entanto, não há negócios.
Os produtores resistem em colocar suas terras à venda porque estão confiantes que a queda no preço da soja é reversível. Por enquanto, continua valendo a paridade em relação à soja: de 800 a mil sacas de soja por alqueire, o que sinaliza a confiança dos agricultores numa reação do mercado.
Com a queda no preço da soja para cerca de R$ 30 a saca, o alqueire vale hoje, em média, R$ 300 mil. Do ano passado até março deste ano, segundo Iracy Lucio Mochi, proprietário da Imobiliária Paiaguás, de Maringá, o alqueire era cotado em até R$ 48 mil. Hoje, segundo ele, quase não há negócios porque os agricultores estão sem dinheiro. ''Eles tinham previsão de lucrar com a safra passada e não esperavam uma queda na cotação da soja'', afirma.
O incremento da pecuária, de acordo com Mochi, também não tem reflexos na valorização das terras. Segundo ele, o pecuarista está investindo pouco, diante do aumento de custos com a rastreabilidade. ''Com isso o preço da terra não reage'', explica. ''Infelizmente a situação no País mudou, os juros não caíram e o câmbio ficou muito depreciado, o que está prejudica as exportações e novos investimentos''. Ele está confiante, no entanto, que essa situação mude a partir de fevereiro do ano que vem, quando a expectativa é de melhores preços na comercialização da safra de verão.
Soja indexador - A partir de 2001, as terras agrícolas do Paraná iniciaram um processo de valorização. Segundo o agrônomo do Deral, da Secretaria Estadual de Agricultura, Richardson de Souza, o aquecimento do preço da soja, influenciado pela sua cotação no mercado internacional e pela valorização do dólar em relação ao Real nos anos de 2001 e 2002, foi o principal responsável por esse aquecimento.
Segundo Souza, o valor médio da terra roxa mecanizada no Paraná em março deste ano era de R$ 12,7 mil o hectare (ha). O número, segundo ele, é 195% maior ao praticado em 2001, quando houve aumento nas cotações da soja. ''Nesse período, a valorização da soja foi 197%, confirmando a estreita relação com o mercado de terras no Estado'', avalia.
Levantamento feito pelo Deral mostra que do mês de abril até agora a desvalorização da terra ficou em 6,7%, enquanto que a cotação da soja caiu 35%. Segundo Souza o resultado demonstra que o produtor ainda resiste em vender sua terra porque confia na soja que financeiramente é um produto viável. Prova disso é o aumento de 4% na área de plantio este ano.
O agrônomo destaca que a região do Arenito, no Noroeste, experimenta uma valorização em função dos trabalhos de recuperação do solo desde 2002. A terra arenosa, no mês passado, esteve cotada em R$ 8,6 mil/ha e a terra mista em R$ 8,2 mil/ha. A valorização se dá, segundo o agrônomo, pelo aumento no plantio da soja. De 2002 para cá a cultura passou de uma área de 75,6 mil ha para 233,4 mil ha. A terra também valorizou. De R$ 2,8 mil o ha em outubro de 2001 para R$ 9 mil o ha em abril deste ano, quando o preço da soja ainda estava em alta. Desde então, houve uma redução de 5,7% no preço da terra no Arenito.


