Depois da seca e a dor de cabeça, veio a chuva e a esperança. Nem parece que até pouco mais de um mês os produtores de soja paranaenses estavam desesperados com o plantio de soja verão. Com boas precipitações em grande parte do Estado, os números do plantio retornam “quase” ao normal, com a grande percentual das lavouras em excelentes condições. Mais do que isso, com o dólar na casa dos R$ 4,20, alguém precisa se beneficiar não é mesmo? Caso de alguns sojicultores que já estão travando a saca a ótimos preços.

Esperança: nem parece que até pouco mais de um mês os produtores de soja paranaenses estavam desesperados com o plantio de soja verão
Esperança: nem parece que até pouco mais de um mês os produtores de soja paranaenses estavam desesperados com o plantio de soja verão | Foto: Marcos Zanutto/19/11/19

De acordo com o último levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Agricultura), até aqui a área de soja plantada está em quase 90% dos 5,48 milhões de hectares. Do volume total, apenas 4% estão em condições ruins devido àquela estiagem, 19% em situação média e 77% boas, que foram plantadas mais tarde, após a chuva. Praticamente 80% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e apenas 3% em floração. No ano passado, havia um percentual bem maior nesta fase.

Em relação ao volume produtivo, ainda é cedo para o Deral projetar quanto aquela seca vai impactar nos números. Até aqui, a estimativa permanece de safra cheia: 19,8 milhões de toneladas, incremento de 23% comparado a safra 2018/19 e acima da 2017/28, quando quase chegou à casa dos 19,2 milhões de toneladas. Em relação a rendimento, a projeção é de 3.610 quilos por hectare, número bem otimista.

O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, relata que essa soja plantada tardiamente pode ter até produtividade mais interessante frente aquelas que enfrentaram condições mais estressantes fisiologicamente. “Essas 77% plantadas em uma condição boa estão até mais adequadas pensando tecnicamente. Às vezes, essa situação é mais interessante pensando em termos agronômicos.”

De qualquer forma, no ano passado o percentual de áreas na fase de enchimento de grãos era maior. Ou seja, a chuva precisa continuar acontecendo para recompor o déficit hídrico de algumas áreas. “O volume ainda não está adequado e será necessário quando (a planta) entrar nas fases de floração e frutificação. Se a chuva não continuar, teremos problemas no enchimento de grãos. Mas falar de quebra agora é apenas um chutômetro.”

Preços

Os números do Deral apontam para um crescimento sustentável dos preços da saca de soja nos últimos quatro meses. Em julho, a saca era comercializada a R$ 66,46, em agosto saltou para R$ 71,86, depois R$ 73,54 e, em outubro, fechou com média de R$ 75,38. Em novembro, chegou a bater a casa dos R$ 80.

Os valores são importantes para que o produtor já consiga travar algumas sacas no mercado futuro e, assim, elevem a média da oleaginosa este ano, que até outubro estava em R$ 69,51. No ano passado, o preço médio da saca fechou em R$ 72,33.

E o milho safrinha?

O produtor Geraldo Casaroto pode olhar para a sua situação por duas perspectivas. A do copo “meio cheio” aponta que a soja está plantada em boa parte da sua área de Londrina e região e com um andamento bom até aqui. A do copo “meio vazio” é que tudo aconteceu de forma atrasada e assim uma parte do terreno não vai poder receber mais o milho safrinha devido ao perigo de geada. O cronograma ficou apertado demais.

Casatoro trabalha numa área de 520 alqueires entre as cidades de Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis. A FOLHA Rural tem acompanhado sua “saga” em busca de boas produtividades nas últimas safras, que estão sofrendo com quebras recorrentes devido às estiagens.

Desta vez, a seca veio antes do plantio, atrasando o calendário. O ideal era ter iniciado os trabalhos em 20 de setembro e finalizado em 25 de outubro. Com a terra no pó até então, as máquinas foram para a lavoura entre 15 de outubro e 4 de novembro. “As chuvas vieram: 30 milímetros, depois 12 milímetros, 35 milímetros. O normal seria colher no final de janeiro, mas vai ficar para a segunda quinzena de fevereiro e fechar em 20 de março.”

Em relação à qualidade, até aqui tudo corre bem nos 440 alqueires plantados. “Tem que continuar a chuva para a floração. Outro ponto positivo é que com o dólar alto na hora da comercialização, já consegui travar 25% da produção a R$ 80 a saca.”

Do lado negativo, está que em 80 alqueires ali próximo ao Catuaí Shopping não vai ser possível plantar o milho safrinha, já que foi a última área que recebeu a soja e pode ter risco de geada caso arrisque com a próxima cultura. “Para não correr o risco, talvez faça uma cobertura com aveia e eventualmente o trigo. Assim recupero o solo para a próxima safra de soja e não corro o risco de ter problema com milho caso ocorra uma geada.”

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