Soja: depois da chuva, as boas expectativas
Com boas precipitações em grande parte do Estado, os números do plantio estão retornando “quase” ao normal
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 2019
Com boas precipitações em grande parte do Estado, os números do plantio estão retornando “quase” ao normal
Victor Lopes 
Depois da seca e a dor de cabeça, veio a chuva e a esperança. Nem parece que até pouco mais de um mês os produtores de soja paranaenses estavam desesperados com o plantio de soja verão. Com boas precipitações em grande parte do Estado, os números do plantio retornam “quase” ao normal, com a grande percentual das lavouras em excelentes condições. Mais do que isso, com o dólar na casa dos R$ 4,20, alguém precisa se beneficiar não é mesmo? Caso de alguns sojicultores que já estão travando a saca a ótimos preços.

De acordo com o último levantamento do Deral (Departamento de Economia Rural) da Seab (Secretaria de Agricultura), até aqui a área de soja plantada está em quase 90% dos 5,48 milhões de hectares. Do volume total, apenas 4% estão em condições ruins devido àquela estiagem, 19% em situação média e 77% boas, que foram plantadas mais tarde, após a chuva. Praticamente 80% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo e apenas 3% em floração. No ano passado, havia um percentual bem maior nesta fase.
Em relação ao volume produtivo, ainda é cedo para o Deral projetar quanto aquela seca vai impactar nos números. Até aqui, a estimativa permanece de safra cheia: 19,8 milhões de toneladas, incremento de 23% comparado a safra 2018/19 e acima da 2017/28, quando quase chegou à casa dos 19,2 milhões de toneladas. Em relação a rendimento, a projeção é de 3.610 quilos por hectare, número bem otimista.
O engenheiro agrônomo do Deral, Carlos Hugo Godinho, relata que essa soja plantada tardiamente pode ter até produtividade mais interessante frente aquelas que enfrentaram condições mais estressantes fisiologicamente. “Essas 77% plantadas em uma condição boa estão até mais adequadas pensando tecnicamente. Às vezes, essa situação é mais interessante pensando em termos agronômicos.”
De qualquer forma, no ano passado o percentual de áreas na fase de enchimento de grãos era maior. Ou seja, a chuva precisa continuar acontecendo para recompor o déficit hídrico de algumas áreas. “O volume ainda não está adequado e será necessário quando (a planta) entrar nas fases de floração e frutificação. Se a chuva não continuar, teremos problemas no enchimento de grãos. Mas falar de quebra agora é apenas um chutômetro.”
Preços
Os números do Deral apontam para um crescimento sustentável dos preços da saca de soja nos últimos quatro meses. Em julho, a saca era comercializada a R$ 66,46, em agosto saltou para R$ 71,86, depois R$ 73,54 e, em outubro, fechou com média de R$ 75,38. Em novembro, chegou a bater a casa dos R$ 80.
Os valores são importantes para que o produtor já consiga travar algumas sacas no mercado futuro e, assim, elevem a média da oleaginosa este ano, que até outubro estava em R$ 69,51. No ano passado, o preço médio da saca fechou em R$ 72,33.
E o milho safrinha?
O produtor Geraldo Casaroto pode olhar para a sua situação por duas perspectivas. A do copo “meio cheio” aponta que a soja está plantada em boa parte da sua área de Londrina e região e com um andamento bom até aqui. A do copo “meio vazio” é que tudo aconteceu de forma atrasada e assim uma parte do terreno não vai poder receber mais o milho safrinha devido ao perigo de geada. O cronograma ficou apertado demais.
Casatoro trabalha numa área de 520 alqueires entre as cidades de Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis. A FOLHA Rural tem acompanhado sua “saga” em busca de boas produtividades nas últimas safras, que estão sofrendo com quebras recorrentes devido às estiagens.
Desta vez, a seca veio antes do plantio, atrasando o calendário. O ideal era ter iniciado os trabalhos em 20 de setembro e finalizado em 25 de outubro. Com a terra no pó até então, as máquinas foram para a lavoura entre 15 de outubro e 4 de novembro. “As chuvas vieram: 30 milímetros, depois 12 milímetros, 35 milímetros. O normal seria colher no final de janeiro, mas vai ficar para a segunda quinzena de fevereiro e fechar em 20 de março.”
Em relação à qualidade, até aqui tudo corre bem nos 440 alqueires plantados. “Tem que continuar a chuva para a floração. Outro ponto positivo é que com o dólar alto na hora da comercialização, já consegui travar 25% da produção a R$ 80 a saca.”
Do lado negativo, está que em 80 alqueires ali próximo ao Catuaí Shopping não vai ser possível plantar o milho safrinha, já que foi a última área que recebeu a soja e pode ter risco de geada caso arrisque com a próxima cultura. “Para não correr o risco, talvez faça uma cobertura com aveia e eventualmente o trigo. Assim recupero o solo para a próxima safra de soja e não corro o risco de ter problema com milho caso ocorra uma geada.”


