A quebra na safra de soja provocada, principalmente, pela estiagem e os baixos preços da comodittie no mercado internacional estão deixando muitos agricultores descapitalizados para a próxima safra de verão. Especialistas na cultura da soja são unânimes em afirmar que ser prudente e evitar riscos desnecessários pode significar um pouco de dinheiro a mais no bolso na próxima safra. ''É o momento de repensar muitas atitudes e buscar alternativas para aumentar a margem de lucro, isso implica em planejamento para reduzir custos e aumentar a produtividade'', aconselha Lineu Domit, pesquisador da Embrapa Soja.
Fazer o monitoramento mais intenso da lavoura, tomadas de preço para aquisição de produtos, anotação de todos os custos e consultas a engenheiros agrônomos devem passar a ser atividades rotineiras de quem pretende aumentar os lucros no próximo verão. Entre os custos variáveis de produção, os gastos com adubação, herbicidas e aquisição de sementes são os que mais pesam para o agricultor.
Escolhas corretas ajudam a evitar desperdícios e racionalizar mais os recursos. ''Hoje, existem alternativas para se otimizar a aplicação dos recursos nas lavouras, mas isso exige uma mudança de hábito. É uma situação semelhante a que vivemos com o racionamento de energia elétrica. Muitos de nós descobrimos que era possível economizar, bastava estar atento para isso'', explica Fernando Adegas, técnico da Emater.
A economia pode começar já no momento da aquisição das sementes. Os lançamentos costumam custar, em média, 30% a mais em função da pouca disponibilidade de semente. Além disso, o agricultor que já conhece o comportamento das variedades que vem plantando há pelo menos dois anos tem menos chance de se surpreender com resultados negativos. ''Quem preferir plantar novas variedades deve começar com áreas menores para conhecer o comportamento na sua propriedade'', explica Domit.
As sementes transgênicas, num primeiro momento, podem seduzir o agricultor que pensa que elas possuem um custo de produção menor. Na prática, é preciso estar atento a algumas variáveis. ''O transgênico é mais uma alternativa tecnológica e não uma solução milagrosa. O agricultor tem que estar atento no mercado, nas características e na origem das cultivares e, principalmente, nas condições da lavoura'', orienta Domit. Lavouras com baixa infestação de plantas daninhas e que não apresentam histórico de resistência aos herbicidas convencionais apresentam melhor resultado econômico quando utilizam cultivares convencionais.
A escolha da variedade mais adequada também influi em outros custos, como o de herbicidas. As cultivares que têm um desenvolvimento inicial mais rápido, se fecham mais rápido também e isso pode ajudar a reduzir a concorrência com as plantas daninhas. ''O uso dessas cultivares combinadas com plantios no final de outubro reduzem a concorrência da soja com as plantas daninhas, porque normalmente, elas se desenvolvem melhor a partir de novembro, quando está quente e chove bastante'', explica Fernando Adegas, agrônomo da Emater.

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