Soja, campeã da agricultura
Soja, campeã da agricultura
Sandra Zambúdio
Cultivada em mais de 12 milhões de hectares, a soja é hoje a maior riqueza agrícola brasileira, ocupando posição de destaque na economia: participa com 11% na renda bruta de todas as culturas, e o complexo soja gera anualmente cerca de US$5,4 bilhões para o País, em exportações.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de soja. A estimativa de produção para esta safra (97/98) é de cerca de 32 milhões de toneladas. Uma realidade fantástica, considerando que na safra 70/71, por exemplo, foram produzidos apenas 2,77 milhões de toneladas, em 1,71 milhão de hectares.
Essa rápida ascensão da soja no Brasil não aconteceu ao acaso, mas é resultado de anos de pesquisas, realizadas em instituições brasileiras. Foram os cientistas brasileiros que venceram desafios, derrubaram conceitos e tornaram a soja produtiva em regiões de baixa latitude.
Quando chegou ao Brasil, na década de 20, pelas mãos de imigrantes japoneses, a leguminosa encontrou apenas no Sul do País condições similares à sua região de origem. Diversas pesquisas em melhoramento genético buscavam a expansão da área cultivada. Mas foi em 1973, com a criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e, após dois anos, de uma das suas unidades, o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa-Soja), que a pesquisa com a leguminosa ganhou mais força.
Estrategicamente localizada (em Londrina, no Norte do Paraná) para que pudesse atender as demandas da pesquisa de todo o território nacional, a Embrapa Soja foi criada com a incumbência de conquistar a independência tecnológica para a produção brasileira. E essa foi nossa mais importante conquista, ressalta José Francisco Ferraz de Toledo, chefe geral da Embrapa Soja.
A dedicação dos pesquisadores da empresa fez com que em poucos anos fossem lançadas cultivares genuinamente brasileiras, com alto potencial produtivo, excelente qualidade de grãos e resistência aos principais problemas (acamamento, mancha-olho-de-rã, cancro-da-haste, entre outras). Toledo lembra que foi esse trabalho que desbravou novas fronteiras e possibilitou o cultivo da soja de norte a sul do País. E complementando o desenvolvimeno de cultivares adaptadas, outras tecnologias geradas pela Embrapa Soja deram aos agricultores estabilidade para continuar na atividade agrícola, com aumento de rentabilidade, menor agressão ao meio ambiente, enfim, garantindo a sustentabilidade agrícola.
A ênfase das pesquisas realizadas na Embrapa Soja, lembra Toledo, é gerar tecnologias que preservem a natureza e a vida do homem. O controle biológico da lagarta da soja, através do Baculovirus anticarsia, e do percevejo, através da vespa Trissolcus basalis, tem potencial para tirar o veneno das lavouras, deixando-as mais saudáveis. A rotação e diversificação de culturas e o plantio direto, práticas recomendadas pela Embrapa Soja, viabilizam a recuperação e a conservação dos solos degradados.
Apesar das grandes conquistas, os trabalhos de pesquisa continuam na busca de atender prontamente as demandas do setor agrícola, diz Toledo. Um exemplo disso, segundo ele, é o nematóide de cisto da soja - um dos maiores problemas da agricultura brasileira. Técnicas de manejo cultivares resistentes foram desenvolvidas em tempo recorde e já evitam perdas nas lavouras contaminadas.
Ao mesmo tempo em que investe em pesquisas que fazem as lavouras brasileiras produzirem mais e melhor, a Embrapa busca instrumentos que levem esses benefícios a toda a sociedade. Exemplo disso é o programa Soja na Mesa, que tem por objetivo tornar a alimentação do brasileiro mais nutritiva. Diversas técnicas de preparo de alimentos já foram desenvolvidas; a pesquisa busca criar cultivares que produzam grãos com maior teor de proteína e mais saborosos, especialmente destinados à alimentação humana.
Para Toledo, a Embrapa Soja está preparada para novos desafios. Temos buscado sempre novos conhecimentos e apefeiçoamento, diz. Segundo ele, recursos como a biotecnologia podem garantir resultados com maior agilidade em áreas como resistência a herbicidas e a pragas e na melhoria da qualidade do grão e do óleo. Para isso, técnicas de DNA recombinante, clonagem e plantas transgênicas estão sendo estudadas pelo centro de pesquisa.
A autora é jornalista da Embrapa Soja.





