Soja Bt requer os mesmos cuidados
Recém-chegada ao mercado, a nova soja resistente às principais lagartas que atacam a cultura deve ter os mesmos cuidados de manejo se comparada ao milho Bt. Daniel Ricardo Sosa Gomez, pesquisador da Embrapa Soja, avalia que o plantio sem sucessão e a não adoção da área de refúgio exercem uma forte pressão de seleção de insetos resistentes em uma lavoura com a oleaginosa.
"São medidas preventivas que devem ser realizadas todos os anos, as quais retardam o processo de seleção natural das espécies", salienta o especialista. Em relação à destinação da área de refúgio, Gomez destaca que entidades de pesquisa e empresas ainda discutem o percentual de plantio de sementes de soja convencional em uma área com transgênicos. "Inicialmente, o agricultor deve obedecer o que as empresas indicam", observa o especialista.
Conforme Gomez, no caso do milho, a não adoção de área de refúgio pode ter prejudicado a eficiência da tecnologia, como tem ocorrido no Mato Grosso. "O agricultor precisa ter consciência sobre o refúgio", enaltece o pesquisador.
Para ele, a dimensão do refúgio depende muito da configuração de cada propriedade, cabendo a um técnico indicar a cada produtor a metodologia mais adequada. O mais usual, completa Gomez, é a distribuição em faixas.
Em áreas onde também se planta algodão com a tecnologia Bt, Gomez revela que as chances de pressão de seleção de lagartas resistentes aumenta ainda mais. Por isso, completa o pesquisador da Embrapa Soja, o Manejo Integrado de Pragras (MIP) deve ser adotado em conjunto com a rotação de culturas e o uso de defensivos agrícolas seletivos. Estes últimos evitam a eliminação dos inimigos naturais que também ajudam no combate às lagartas. Gomez reforça que o MIP deve ser adotado por meio de um manejo apropriado. (R.M.)





