Soja bate recorde de preço no Oeste
A soja nunca esteve tão bem valorizada nessa safra quanto nesta última semana, ao menos na região Oeste do Paraná, onde a cotação do produto está surpreendendo até os consultores de mercado. De acordo com números apresentados por alguns economistas, desde março, o preço da saca de 50 Kg da soja teve um reajuste de cerca de 22%, e chegou a ser comercializada pelas cooperativas na última terça-feira a R$ 22,30.
O consultor de mercado da Granoeste de Cascavel, Celso Gomes Pessoa, afirma que este é o maior preço pago nesta safra até o momento, e que esse aumento está relacionado ao relatório mensal de oferta e demanda divulgado na terça-feira pelo Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Ele explica que o comércio da soja no mundo está diretamente ligado a este relatório, que apresenta os números do produto no mercado norte-americano. O relatório mostrou que nos Estados Unidos, que é o maior produtor de soja do mundo, os estoques estão menores e isso fez com que o mercado mundial reagisse, completa.
Dólar colaborou Para a assessora comercial da Coagru (Cooperativa Agropecuária de Ubiratã), Maria José Yagushi, são vários fatores que têm contribuído para uma melhora na comercialização da soja. Entre eles, estão a valorização do dólar, que vem subindo nas bolsas de valores, e os problemas climáticos apresentados nos Estados Unidos. Ela observa que os produtores americanos estão com dificuldades para concluir o plantio devido à umidade do solo.
Yagushi garante que os produtores também são responsáveis pela valorização da soja, pois esperaram os preços melhorarem para vender a produção. Logo que eles fizeram a colheita não conseguiam receber mais do que R$ 16,00 pela saca, por isso seguraram e venderam apenas o essencial. Hoje recebem cerca de R$ 19,40, e estão colhendo os frutos dessa grande safra que tivemos, comemora.
Pagar financiamentos Apesar da valorização, a assessora comercial da Coagru acredita que os produtores estão apenas sendo recompensados pelo trabalho apresentado durante a safra. Ela lembra que com esse dinheiro poderão começar a pagar os financiamentos feitos juntos aos bancos. Além disso, é bem provável que para a próxima safra os insumos também sofram um reajuste e os produtores precisam estar preparados para os gastos necessários, diz.
O gerente de comercialização da Coopervale (Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri), de Palotina, Edvaldo Radigonda, afirma que na área de atuação da cooperativa foram produzidas 10 milhões de sacas, e que até o momento 60% da produção foi comercializada. Ele considera como principal fator da reação da soja a falta de ofertas no mercado.
Radigonda acrescenta que o mercado financeiro tem se mostrado bastante variável nos últimos dias, por isso, fica muito difícil fazer uma previsão sobre uma maior valorização do produto. Com certeza podemos dizer que os preços praticados nesse momento vem ultrapassando todas expectativas tanto dos produtores como nossas.
De acordo com Neri Zimmermam, assistente de comercialização da Coopagril (Cooperativa Agrícola Mista de Marechal Cândido Rondon), a tendência para os próximos dias é o valor da saca continuar subindo, principalmente se o dólar mantiver sua valorização.
Momento certo Ele diz que na área de atuação da cooperativa foram produzidas 1,6 milhão de sacas, sendo que 70% já foi comercializada. Os produtores souberam esperar o momento certo para vender a produção. Apesar do mercado estar em uma crescente, eles precisam pagar suas dívidas e deverão vender toda a safra, ressalta.
Para o analista de mercado Tony Silva, a valorização que está sendo apresentada nesse momento deverá motivar os produtores a aumentarem a área de plantio da soja na próxima safra. Ele não arrisca fazer uma previsão sobre os rumos do mercado da cultura, mas as perspectivas mostram que a valorização deverá continuar.
Até mesmo os produtores rurais estão se mostrando satisfeitos com os preços pagos nos últimos dias pela saca de soja. O produtor Sidnei Lupatini afirma que as cotações praticadas nas duas últimas semanas estão mais justas, pois no início da colheita era praticamente impossível vender a produção devido aos preços baixos. As pessoas dizem que apenas reclamamos, mas o preço que estava sendo pago praticamente não cobria os custos de produção, conclui.





